domingo, 25 de janeiro de 2009

UMA NOVA VISÃO PARA O CONCELHO. UM NOVO CAMINHO

A propósito do novo fôlego que a Câmara de Portimão está a imprimir no Concelho, com a introdução de 2 projectos de grande alcance, que vão trazer bons resultados no curto e médio prazo e ao longo de todo o ano, gostaria de abordar com a população de Albufeira algumas ideias de balanço e projecção do nosso futuro colectivo.

A centralidade geográfica do Concelho e o facto de determos a principal porta de entrada terrestre – a auto-estrada, constitui um factor de vantagem, cujo aproveitamento se tem restringido à facilitação de instalação da grande distribuição, em concorrência com efeitos negativos no Comércio da cidade e que só trazem pessoas à sua periferia.

O Concelho, está entalado entre Concelhos com enorme dinâmica empreendedora e que se apoiam nas forças sociais discutindo com elas as ideias e iniciativas que possibilitam chamar mais visitantes, ao contrário do Executivo de Albufeira, que perante o abrandamento da actividade económica, pelo cansaço do Turismo de sol e praia e da sobrecarga do betão, se recusa a discutir o futuro em profundidade e inovação.

O Executivo, mais neste segundo mandato, pautou a sua actividade numa estratégia assente em dois vectores: o incremento da construção especulativa, numa perspectiva de aumento de receitas e na actividade festivaleira em tempo estival e no fim do ano.

O desenvolvimento turístico e a pressão da procura, justificaram o apoio ao investimento no imobiliário, com falhas graves na definição e aplicação dos mecanismos para o controlar e disciplinar e, hoje, é indispensável compreender os sinais de excesso de oferta e a necessidade de abrandar e controlar com rigor a ocupação dos solos.

Esta ocupação exaustiva, virada para o lucro fácil que não foi reinvestido no Concelho, agravou as assimetrias, temos milhares de casas por vender, ruas desertas, problemas de segurança, despesas públicas de manutenção, há falta de jardins e parques infantis, não há casas para os mais pobres, não há estacionamentos e infra-estruturas sociais de aprendizagem e ocupação de tempos livres. Quem trabalha, vive pior do que há 15 anos, temos menos emprego ao longo do ano e mais problemas sociais e económicos, que já chegam à classe dos pequenos e médios empresários.

O modelo festivaleiro, de chamar milhares de pessoas por umas horas e mesmo assim esgotando a sua paciência com a falta de infra-estruturas de acolhimento e muita desorganização, também tem de ser reformulado. Gastamos os dinheiros públicos, o retorno é duvidoso em alguns casos e continuamos sem um Programa para o longo período de Inverno.

O tecido económico do Concelho está a empobrecer lentamente e o tempo é de reflexão.

Num contributo para a discussão, proponho nove pontos, a saber:

1.Investimentos de Qualidade

A cidade tem absoluta necessidade de melhorar a qualidade arquitectónica do seu parque habitacional, hoteleiro e edifícios públicos, com obras de grande valor e beleza, que façam a diferença e sejam motivo de atracção.

No horizonte temos de considerar a existência de um Palácio de Congressos e eventos variados, que seja um ícone e alavanca do Concelho.

2.Educação, Cultura, Desporto e Formação Profissional

Albufeira tem enormes carências nestes aspectos da sua vida.

Os turistas do Sec. XXI, são mais exigentes e procuram conhecer os traços históricos e culturais dos locais a visitar, o que aumenta a competitividade, obriga a reequacionar os investimentos na oferta cultural e nas tradições.

A rede escolar tem de ser dimensionada e equipada para as necessidades do futuro, o aproveitamento dos nossos jovens, que anda em níveis preocupantes, tem de ser uma prioridade tal como a formação profissional, para podermos apresentar uma elevada qualidade de serviços à população e aos visitantes.

No desporto, cuja prática tem de ser para todos e nas melhores condições possíveis, devemos apoiar as associações e clubes que prestam um elevado serviço, na medida da sua dimensão, mas destaco aqueles que pela sua história e feitos, têm de merecer um carinho especial por serem uma bandeira do Concelho. O Imortal deve ser tratado como expoente máximo, porque já deu muitas alegrias às gentes de Albufeira.

3. Definição do Centro Histórico

O núcleo histórico da velha vila, na sua simplicidade, tem de ser classificado como Centro Histórico, para travar a sua destruição e estabelecer uma nova relação entre a população e as novas gerações de turistas.

Pela mesma ordem de ideias, temos de salvaguardar todo o património espalhado pelo Concelho, para mostrarmos o nosso estilo civilizacional, como uma simples nora e outros elementos.

4. Sol e Mar com Qualidade

A frente de mar do Concelho é reconhecidamente espectacular e será sempre uma das suas vertentes de atracção.

Para o cumprimento do seu papel, temos de oferecer elevado nível de qualidade de água e areia e uma oferta de serviços de apoio, no total respeito pela harmonia ambiental.

Criar o máximo de caminhos ambientais ao longo das falésias como elemento de fixação e de desfrute ao ar livre.

5. O Concelho como um todo

Pela sua dimensão e na procura do seu equilíbrio, a cidade e as aldeias, têm de ser vistas numa perspectiva de complementaridade e os investimentos têm de contemplar por igual as necessidades especificas de cada local.

6. Infra-Estruturas e Equipamentos

Albufeira está longe de ser uma cidade bem infra-estruturada e preparada para servir os seus habitantes e os novos desafios do Turismo. Desde estacionamentos a Escolas e Creches, passando pela habitação social, águas e saneamento, uma rede Concelhia de estradas e o aproveitamento geográfico para a logística e tecnologia, temos muito ainda por fazer mas destaco outras áreas a seguir.

Na área da saúde damos uma péssima imagem e prestamos um serviço deficiente, cujas soluções têm de passar por soluções públicas e privadas e urgentes.

Nos Transportes, é de todo urgente uma organização de inter-acção de todos os seus meios, ajustada às necessidades de cada área do Concelho e, ousar pensar num serviço, em colaboração intermunicipal, de criação de um metro de superfície que ligue Quarteira-Vilamoura a Albufeira e esta a Lagoa e Portimão, passando pelas praias do Concelho.

Na área da construção, é necessário impor limites e condições por um lado e elaborar planos de requalificação por outro. O ordenamento tem de deixar de ser uma palavra vã.

7. Sazonalidade

Um flagelo, que não tem merecido atenção e que consome os recursos financeiros e mentais do tecido económico do Concelho. Cresceu com o aumento exagerado da oferta e reduz a capacidade de investimento para a modernização, crescimento e melhoria das condições dos trabalhadores.

A resposta, está em Programas de atracção de proprietários e turistas, bem como da instalação de empresas e serviços, Escolas Profissionais ou Superiores, que tragam e movimentem pessoas.

8. Intermunicipalidade

Inseridos que estamos numa Região com os mesmos problemas, a conjugação de esforços e a complementaridade para a realização de grandes projectos passa,pela intermunicipalidade sem complexos e sem sobrancerias.

9. Albufeira – Destino de Qualidade Superior

Mais importante que rivalizar com outros destinos, inclusive do Algarve, para defender um título de capital do Turismo, é preocuparmo-nos em produzir qualidade superior em todos os parâmetros da vida da cidade e do Concelho, desde os serviços públicos aos privados, desde as praias ao Castelo de Paderne.

Albufeira

Luis Alexandre

presidente da ACOSAL

5 comentários:

Mosse Debe disse...

Mosse Debe, até gostei que se fale do imortal e digam que é bandeira de albufeira que tem historia e tem feitos.

Anónimo disse...

Este artigo é diferente do que estamos habituados a ver e dá uma ideia do que se paassa no concelho e do que falta fazer. A construção em demasia tem levado com criticas e mesmo assim não pára e ao fim destes anos todos a população começa a perceber que pouco se ganhou, porque as casas estão fechadas e ainda por cima chamam a atenção dos ladrões.
A ideia do metro de superficie é uma grande ideia e faz a comunicação entre as cidades que têm mais população e o seu vai e vem leva e trás pessoas para dar movimento e ajudar as lojas e restaurntes.
Eu não tenho tantos conhecimentos como vocês e lendo este artigo deu-me mais vontade de escrever porque aqui sinto-me bem e tenho aprendido.
Eu quero ajudar a dar a volta a Rinchoa com praia.

brejos

antónio maria disse...

Será que vamos dar a volta a esta cidade atrasada que o que faz de melhor é organizar bailes para os velhotes ?
Será que vamos desmascarar uma Cãmara que faz alguma coisa só no ano de eleições ?
Será que vamos acabar com o derreter do dinheiro de todos para pagar votos ?
Será que vamos acabar com a s tentativas de dar dinheiro ao desbarato às empresas dos amigos ?
Será que vamos ter de levar com esta gente mais tempo ?

Anónimo disse...

Parabens Luis Alexandre, bom documento de trabalho e dá-nos muito que pensar.

carlos

firmino disse...

O sr. Desidério esfrega as mãos, lê este texto e tira ideias para dar a volta. Ele não é inteligente mas é esperto como as raposas e vai para casa com tudo metido na cabeça para arranjar remedio para se safar. Ele está sempre primeiro e salvar a pele, como fez na votação da guia para se fazer o centro comercial.