segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

ALBUFEIRA É MELHOR QUE AS OUTRAS CIDADES DO ALGARVE?

_*RINCHOA COM PRAIA*_


Uma noite, a ver televisão, deparo-me com um humorista a falar da Rinchoa.
A certa altura, fingindo temer que os espectadores não identificassem aquele subúrbio degradado de Lisboa, refere ser a Rinchoa uma espécie de Albufeira, mas sem praia…
Passando ao lado da caricatura, de que o humor muitas vezes se alimenta, temo ser esta a imagem que, generalizadamente, se foi criando de Albufeira (e de Quarteira, Armação e outros “Allgarves”) nas últimas décadas.
Como se chegou aqui?

Ser capital, seja do turismo ou de outra coisa qualquer, não é apenas um título. É uma responsabilidade, que se liga à dimensão e importância que o título sugere.
Enquadra, também, uma série de conceitos próprios, definidores de excelência, que ali é suposto existirem.
Projecta, igualmente, a necessidade de que se planifique o crescimento na fidelização a esses conceitos de enquadramento, dentro da racionalidade que o meio envolvente imponha.

Albufeira cresceu, e foi elevada a cidade. Cascais, por exemplo, desenvolveu-se (ou seja, cresceu sustentadamente), sem deixar de ser vila, por opção própria.
Albufeira massificou o turismo e descurou a qualidade. A Madeira nivelou-o por cima e preservou a excelência de serviço.
Albufeira fez concessões urbanísticas ao mau gosto, em nome de uma duvidosa modernidade. Lisboa e Porto cuidaram de Alfama e da Ribeira como se fossem jóias.
Albufeira declinou responsabilidades, demitiu-se perante os interesses e assistiu placidamente ao fogo-de-artifício, em tons rosa e laranja, que o poder lhe proporcionou, com o dinheiro dos munícipes. Chipre, Malta e outros parceiros mediterrânicos agradeceram a “demissão”e agarraram a oportunidade.

Impõe-se parar, para pensar.
Voltar atrás, para escrutinar erros.
Responsabilizar representantes e representados, para que a terra seja, efectivamente, a soma dos seus habitantes, e as decisões políticas, o produto das suas vontades:
-Responsabilizar os representados, através da sua participação, para obstar a novos “cataclismos”, para que as asneiras sejam corrigidas no interesse da comunidade e para projectar e direccionar o futuro.
-Responsabilizar os representantes, através da exigência de um exercício de poder competente, limpo e democrático.

José Eduardo Simões

8 comentários:

Mosse Debe disse...

Mosse Debe albufeira é a rinchoa, a marina é o chelas 2, a vila magna o bairro da bela vista onde vamos parar ?

Anónimo disse...

E eu acrescento que a Av. Sá Carneiro é a China town, que o centro é metade indiano e metade chinês e no meio está o granfinus que faz o que quer na tasca dele , desde obras a montar tendas no meio da rua e o vereador mais o passarinho da acral fazem a ponte com o poder nesta terra de salve-se quem puder que o poder é cego para quem quer
Oque eu digo é que Albufeira vai de mal a pior.

Eu sou o tirem-me daqui

Anónimo disse...

Pois é Simões!

Os políticos que têm dirigido o País, o Algarve e Albufeira ainda não formam julgados e penalizados (serão alguam vez?)pelo estado em que deixam isto.

Ao menos reconhecerão as suas responsabilidades?

Albufeira em particupar, nunca ouvi uma palavra ao actual Presidente sobre o assunto.Ele terá noção que existem outras e reais possibilidades de desnvolvimento? Que crescimento de prédios e "turismo barato" não é o mesmo e não rima com desenvolvimento.Ou quem vier atrá que feche a porta?

Professora

Anónimo disse...

Os cavalheiros que mandaram no concelho nosultimos trinta anos só pensaram em apoiar o turismo residencial que não dá trabalho para o futuro e deixa uma cidade deserta e assim como podem funcionar todos os negocios e criar empregos. Os donos das muitas casas só cá vêm para passar uma ou duas semanas, para pagar o IMI e para a reunião do condominio e levarem outro choque com as contas que as empresas admnistradoras lhes apresentam que são de fugir. e muitos estão mesmo a fugir e tão-se cagando para Albufeira.

Anónimo disse...

Na zona histórica da cidade a cave do Painel foi toda envidraçada, tem um elevador exterior, e placa de obras nem foi preenchida. Mais uma vez tem a mãozinha da ACRAL.
O Granfinus desde as obras do Pólis e aproveitando a vedação da Avenida fez uma quantidade de obras ilegais, e continua, mais uma vez tem a mãozinha da ACRAL. O oásis do sr. presidente (Largo engº duarte pacheco) as palmeiras tão a secar e a água só correu por poucos dias. É agora um mausoleo em que apenas se sentam meia dúzia de drogados e ciganos a enganar turistas. Esta é a cidade que o sr presidente cavou, em que os pequenos comerciantes e a maioria da população servem apenas para isco dos grandes tubarões.

A.M.G. disse...

Este é um excelente texto, partiu de uma uma boa piada que evidencia o que os outros pensam de nós, não poupando o grosseirismo e a fraqueza dos dirigentes concelhios, na interpretação e condução dos destinos da cidade.
"Somos um subúrbio de uma grande cidade e salvamo-nos por estarmos servidos de uma praia". Que mesmo assim tem vindo a ser destruida e enxertada com máquinas que vão redundar numa manutenção milionária.
Mais do que provincianismo, a gestão que nos têm oferecido é de um saloismo congénito.
E os labregos que aqui vivem e trabalham, não são tidos nem achados para opinar.
Faço votos que não sejamos no futuro, o grande cenário para uma "tragédia grega", à moda laranja e rosa.

anónimo de cá disse...

Desde que o presidente Desidério tomou posse há sete anos atrás, que vive obcecado com o título de capital do turismo. Para que queremos títulos se as coisas aqui não estão a correr bem? Volta e meia temos as praias poluidas e quando não são os Salgados, são os Arrifes, e quando não são os olhos d'Agua são as da frente da cidade.
E a pobreza, e o desemprego e a falta de estacionamentos e os assaltos que cada vez são mais são tudo sintomas de luxo na capital do turismo.
O que se passa já não é obecessão, é doença. Os dirigentes estão doentes e a cidade está doente e se não procuramos mudanças rápidas, vamos mas é para o fundo.

Silvia Melo disse...

Este Verão numa viagem a Lisboa perguntei a um amigo porque não me ía visitar a Albufeira. Lembro-me do tempo de infância em que era rara a casa que não tinha que pôr família e amigos de fora a dormir no sofá e no terraço.

A resposta foi também de humor negro, como a do texto do Sr. Simões, mas foi mais do que isso - foi arrepiante: O quê? Albufeira? Nem pensar!! para ficar a olhar da minha varanda para a parte de trás de um prédio ali à frente colado à minha janela? E para dar voltas e voltas para estacionar e me ir embora 1 h depois? Já no ano passado e no outro lá não fiquei e fui um dia para jantar e passear no centro e dei mais de 4 voltas para estacionar e acabei por me ir embora. Fui a Armação.

Este amigo disse-me depois que nos últimos 3 anos tem ido para as Cabanas de Tavira e para Aljezur, que lhe dá náuseas só de pensar na porcaria que é vir para Albufeira!!!

ARREPIANTE ouvir isto para quem sente a sua terra como uma jóia preciosa!!!


...infelizmente depauperada, escalpada pela desatenção, pelo lucro fácil, pela insensatez nos últimos 20 anos... cada vez pior.

Temos aí os resultados! Eles já se sentem há muito, mas a crise fê-los vir ao de cima.