sábado, 7 de março de 2009

O MEDO É QUEM MAIS ORDENA

O MEDO É QUEM MAIS ORDENA

O caso BPN é pior do que o provocado pelo Madoff, quem o afirma é o Dr. Rui Pedras que fez parte da equipa de Miguel Cadilhe, que ainda se mantém como Administrador do nacionalizado Banco Português de Negócios, ao prestar depoimento na Comissão Parlamentar que está a elaborar um inquérito a todo o processo fraudulento levado a cabo pela equipa do arguido Dr. Oliveira e Costa que se encontra em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional da Policia Judiciária em Lisboa. Ora, para nos situarmos é preciso dizer que Bernard Madoff, foi entre muitas coisas o Presidente da Bolsa de Nova Iorque, um dos homens mais ricos e poderosos do mundo, tendo realizado desfalques superiores a 38 mil milhões de Euros, cabendo a Portugal a fasquia de 96 milhões de Euros de perdas motivadas pelas acções completamente irresponsáveis dos Banqueiros portugueses e respectivas Administrações, sem excepção, embora o grau de criminalidade seja diverso de instituição para instituição, mas todas as operações fugiram à regulamentação e fiscalização do Banco de Portugal, da CMVM e do Instituto de Seguros que a deviam ter feito.

A fraude do grupo SLN/BPN, supera a do Bernard Madoff, não tendo o Dr. Oliveira e Costa ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mistificado tudo sozinho, sem que as dezenas de membros dos conselhos de Administração ao longo de 26 anos, nada soubessem do que se passava, o que não cabe na cabeça de ninguém, sobretudo quando acompanhavam missões duvidosas de negócios nas offshores nos mais recônditos lugares da Terra. Esta mega fraude vai custar aos contribuintes, que somos todos nós a bonita quantia de 1,8 mil milhões de Euros, rateada em cerca de 200 Euros por cabeça de cada português. É um escândalo de contornos ultra mafiosos e não se entende como os colegas do Dr. Oliveira e Costa, os Administradores do grupo SLN/BPN, tal como os banqueiros do BPP, continuem à solta, impávidos e serenos e muito mais grave, dando palpites, orientações académicas, económicas e cientificas para resolver a grave crise por que passa o País. Tais comportamentos contrastam com a atitude de 4 Banqueiros ingleses que foram ao Parlamento Britânico pedir humildemente desculpas pelos graves erros cometidos contra o País.

Isto demonstra que em Portugal tudo é possível e permitido aos poderosos, acontecendo as chamadas originalidades do processo revolucionário em curso, que nos tempos do PREC, todos os dias nos surpreendiam pelas mudanças de actuação dos agentes militares que comandavam as operações estratégicas. Só que, aquelas formas operativas se compreendiam porque estávamos todos num processo de aprendizagem para definir uma linha politica que conduzisse o País a um sistema democrático, progressista e aberto a novas ideias, hábitos e costumes. Passados 34 anos desse período de muita ingenuidade, ilusão e vontade de avançar, foi criado um falso sistema dito de representação democrática, que descambou na hipocrisia beata, acintosa, onde a impunidade campeia, com custos incalculáveis que fazem de Bernard Madoff um aprendiz de feiticeiro, se comparado com as mega fraudes praticadas nesta terra abençoada plantada á beira mar e que de positivo só tem um povo dócil que tudo suporta, caso não acorde e actue nas eleições de 2009.

Grave, é a constatação de que o País está amordaçado pelo medo, tal como se expressou o General Ramalho Eanes numa conferência pronunciada no Instituto de Defesa Nacional, perante as mais altas patentes militares e do Ministro Severiano Teixeira, pondo o dedo na ferida, e haja quem o possa contrariar que levante a sua voz para que se consiga alguma tranquilidade inexistente. Neste contexto de crise, que não é nova, em Portugal tem sido sempre endémica. Quem não tem medo de perder o emprego, de falar, de escrever, dos poderes públicos, dos políticos, dos governantes, dos autarcas, enfim, um cem numero de medos claustrofóbicos que tolhem a vida dos pacatos cidadãos que vivem aterrorizados num País que já foi de brandos costumes, mas que no momento actual enferma de um preocupante estado de criminalidade que não poupa ninguém com tendência para se agravar em proporcionalidade equivalente ao sistemático aumento do desemprego que ultrapassa os 10% da população activa, embora as estatistias oficiais o não reconheçam por motivos óbvios.

Perante um quadro tão negativo, há que tomar medidas urgentes que travem a queda no abismo. Tais medidas devem começar por tomar consciência de todo este processo de mega fraudes cometidas pelos Banqueiros e chamar os políticos à razão, pois são eles que permitem e não punem os crimes de colarinho branco, bastando conhecer os nomes de alguns ex-ministros, secretários de estado, presidentes de autarquias de vários escalões e estar muito atento às acções de alguns Empresários que com a desculpa da crise, despedem impunemente milhares de trabalhadores, lançando na miséria centenas de famílias. Neste ano de 2009, fazer um voto criterioso nos 3 actos eleitorais, para que comecemos o ano de 2010, centenário da Republica um novo ciclo de progresso.

MANUEL AIRES

8 comentários:

rosária m. disse...

Gostei muito do texto. Os patifórios continuam a monte e vão-se reorganizar para novos assaltos.
O Socrates e o Constâncio, não podem fazer nada porque quem paga manda.
O País foi saqueado, as poupanças foram saqueadas, o País agora é que está mesmo de tanga o que só prova que o estarola do Barroso quando se foi embora não queria que a bomba lhe rebentasse nas mãos e ela só veio rebentar com o Socrates/Freeport.
Este País não tem acerto e porquê?

Anónimo disse...

Parabens FORUM ALBUFEIRA pela brilhante aquisição que fizeram ao obter a colaboração do Dr. Manuel Aires, que nunca perdia na Avezinha, e fiqui muito desapontada quando deixei de ver lá publicados os seus artigos há CERCA DE UM MÊS. uMA AMIGA DISSE-ME QUE JÁ AQUI TINHA LIDO UM ARTIGO DELE, foi o motivo para que eu viesse pesquisar no forum que não conhecia mas que a partir de agora venho sempre espreitar e continuar a ler o dr. manuel aires que adoro tudo o que ele escreve.

Silvia Melo disse...

Pois, Doutor, você mete o dedo numa ferida incurável: a da falta de vergonha de quem gere este país. Pena que já nem as palavras lhes causem qualquer incómodo. No entanto, o povo está incomodado e aumenta exponencialmente a sua ira contra aqueles que desavergonhadamente aumentaram e aumentam o seu património em detrimento e à custa do pequeno cidadão que lá ia a correr pôr o voto entre um emprego e outro e que agora não tem nenhum...

As suas palavras são de quem conhece a realidade (bem demais) e não percebo porque a Avezinha deixou de o publicar. Talvez por a conhecer e dar a conhecer, não?

Seja como fôr, ler o seu texto fez-me lembrar a infância e o medo vivido por famílias e vizinhos quando se afigurarva que batia à porta alguém da pide-dgs. Pensei até algum tempo que o medo desse tempo tinha desaparecido e vejo, sinto que ele nunca deixou de existir e que se agudizou nestes últimos anos. ramalho eanes preocupa-se e com razão. Nessa altura em que ele surgiu, sentimos fulgor, ideais de liberdade. agora sentimos medo, essencialmente de ser esmagados pela vergonhosa opressão de políticos e banqueiros que nos roubam a comida da mesa e o fôlego para continuar...

Palmas, Dr. Aires!!! O seu apelo a um voto criterioso, a que os cidadãos se levantem de um sono quase medieval, é de facto a única forma de se mudar algo num Portugal que tresanda a cheiros inquisitoriais.

Anónimo disse...

Não chega escrever bem, mesmo que os temas sejam já decorrentes ou com lugares comuns.
É cómodo.
É preciso vir para a rua, é necessário o associativismo e a mobilização de quem comunga das nossas ideias e preocupações.
Mostrar a força do descontentamento.
Onde estão os articulistas??
Onde esão os seus admiradores/as??
Onde estão os comentadores???

Anónimo disse...

O anónimo que me antecedeu aqui no comentário ao Artigo do Dr. Manuel Aires, não faz uma critica honesta porque se esconde por trás do anonimáto enquanto o dr. Manuel Aires que escreve belissimos textos na imprensa nos blogues e em tudo onde se dá ao trabalho de colaborar graciosamente , não esconde o nome e dá a cara, o que não é nada comodo. Eu sou Professora estou sindicalizada e partecipo em todas as manifestações dos Professores quer elaS SE REALIZEM EM lISBOA OU FARO e não sabemos a associação a que pertence para convidar as pessoas a vir para a rua, será que não se vê o descontentamento das pessoas na cara, e das manifestações de muitas organizações de operários, empresários e outras classes profissionais ? E nessas manifestações lá estão os articulistas os comentadores e as admiradoras do dr. manuel aires dos textos que escreve, sem lugares comuns, ou assuntos recorrentes e não decorrentes como você mal escreve e cobardemente não dá a cara, a não ser para levar para a rua o reboliço que pode esconder a sua figura. Eu como admiradora dos textos e da forma de estar do dr. manuel aires só lhe peço que nos vá brindando com os seus sábios artigos de opinião e neste dia Internacional da MULHER, quero lhe enviar um beijinho de solidariedade da forma como sempre tem defendido as causas das mulheres e de outrs minorias como tenho acompanhado na AVEZINHA, no seu blogue e noutras publicações. Neste dia 8 de Março, o meu muito OBRIGADO como mulher e cidadã deste País que merecia melhor sorte

Anónimo disse...

Doutor Aires, como sei que gosta de Albufeira e na imprensa da terra não o deixam escrever, aqui tem um espaço de escrita livre sem censuras e processos em tribunal e dai... como eles andam furiosos com as verdades que não estavam habituados... força homem, continue a ajudar esta terra que bem precisa de gente que pense e não se venda.

Anónimo disse...

pois é Srº Drº quanto é que terá o nosso Presidente da Républica perdido no BPN para não demitir o Srº Dias Loureiro

FORUM ALBUFEIRA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.