domingo, 22 de março de 2009

A FADA MADRINHA

Era uma vez uma Fada-Madrinha que vivia numa cidade do sul, cheia de sol.
Como era uma senhora de grandes qualidades, especialmente devota e piedosa, sonhava ajudar os mais desfavorecidos a desfavorecerem-se dos desfavores da vida.
Para alcançar tão magnífico objectivo, alistou-se então no partido dos menos desfavorecidos, e assim partiu para a sua sacrificada missão entre os políticos, martírio a que aquiesceu em nome dos pais, dos filhos e dos espíritos tontos.

Que pretendia ela? Na sua condição de Fada-Madrinha, abeirar-se dos pobrezinhos, dos excluídos, das criancinhas e dos velhotes e propor a cada um a formulação de um desejo. Depois, com a varinha mágica, plim!, lá aparecia o desejo satisfeito instantaneamente, sem custos, nem factura, nem IVA…
Porém, em absoluto segredo e sem ela se dar conta disso, os menos desfavorecidos governaram, afinal, em desfavor dos mais desfavorecidos e no interesse dos muitíssimo menos desfavorecidos. As suas obras não eram de caridade, eram de betão. As suas acções não eram evangélicas, eram em papel. Quando percebeu que aqueles malandros tinham outras missões prioritárias, que não coincidiam propriamente com as suas caridosas intenções, a piedosa senhora viu-se obrigada a resignar (há quem diga, maldosamente, que se resignou… a ser despedida).

Desiderando vingar-se, a santa senhora continuou o seu trabalho social, ainda com mais vigor. Mas, ao contrário da sua homóloga Rainha Santa, não escondia as rosas no regaço e, alardeando indiscutível modernidade, utilizava até as suas boas acções como marketing promocional das suas virtudes.
Tanto bastou, para que outras madalenas arrependidas (que também nada sabiam das actividades indecorosas do governo dos menos desfavorecidos) encontrassem nesta Joana d’Arc a sua heroína. Aí estava a protectora dos jovens, das famílias, dos reclusos, dos idosos, dos adictos dos vícios, e de todos os excluídos e restantes fracturados sociais, de uma sociedade perfeita, perfeita como uma cerveja sem álcool… Ámen.
Porém, na sua ansiedade, os bentos patronos da sua santidade tanto a empurraram para a luta, que a santa guerreira os mandou do cavalo abaixo, depois de perceber que as armas e os barões assinalados eram escassos (e de pouca monta, por sinal) para as suas projectadas e beneméritas ambições “urbi et orbi”.
A Fada-Madrinha pegou na varinha mágica e, plim!, num raro acesso de beatífica fúria, partiu-a aos bocadinhos.

Dizem que vai apresentar lista para concorrer a eleições. Na Disneylândia.


José Simões

4 comentários:

Anónimo disse...

este forum é um gozo

Anónimo disse...

o croniqueiro Simões andou a ler Maquiavel!
é bom para escrever livros aos quadradinhos, ficção sem dar nome às coisas, porque esta é literatura de cordel, baseada na fantasia de querer ser crescidinho, e um despeito irracional que é (fo)fada da Branca de Neve. Envenena mas não mata.
Santa Ana te valha!!!

Cunhalito Salazarento

antonio maria disse...

Gostei sr. simoes fala muito bem da política faz de conta, vai se buscar os pobrezinhos para se empoleirarem neles e nos outos. Passam lá anos e só deixam saudades entre as avozinhas, que não se esquecem mais da netinha do chá e bolinhos para o voto.

Anónimo disse...

A bufaria PSD adora Simões, Silvas & companhias, pois desde que levaram na cara andam a meter o rabo entre as pernas, e nervosos a fazerem-se de vítimas ao Pai do Céu!
Só falta o pároco benzer a propaganda eleitoral.
Basta de tanta sacanice!