sexta-feira, 10 de junho de 2011

As eleições no concelho


Sabendo que os resultados das legislativas não têm nada que ver com as autárquicas, estes não deixam de projectar imagens de leitura política do estado de consciência dos eleitores.

Nas legislativas de 2009 ganhou o PS em Albufeira, por margem irrisória mas, em 2011, perdeu por mais do dobro contra o PSD. O P”S” passa de 29,74 para 19.88% e o PSD salta 29.06 para 40.77%.

O falso partido socialista levou uma estocada que se a nível nacional representa o forte impulso para o endividamento e a bancarrota iniciada pelo PSD, a nível local representa o seu desaparecimento na intervenção social em defesa da população e dos problemas graves que nos colocam na primeira linha das preocupações no conjunto dos concelhos do Algarve.

Com um Governo PS em curso, a lógica local foi a de silenciar as más políticas para a região com reflexos naturais no concelho mais turístico do país. O P”S” local, em queda desde a derrota de Catuna, seguido dos novos derrotados e humilhados Fernando Anastácio e David Martins, acaba de acumular mais outra humilhação que levará os seus responsáveis à ilusão de a dissimularem.

O rasto do P”S” na região, traduzido no seu comodismo nas cadeiras públicas e abandono dos problemas que o seu Governo causou na população, estampou-se de forma implacável no concelho.

Com a direcção concelhia enxameada de velhos perdedores e gente ligada a interesses que não os da população, este partido tem o seu campo em desorientação total. O afastamento da população foi recompensado… e nunca houve no seu seio uma linha que procurasse a demarcação.

Se a estratégia de futuro é a de capitalizar o desgaste da governação nacional e projectá-la nas eleições autárquicas, o povo lembrar-lhes-á quem nos conduziu a tão revoltante situação.

Sem esforço e sem qualquer trabalho desenvolvido e mesmo com o descontentamento concelhio em alta sobre o acumulado dos problemas sociais e estruturais, onde o P”S” se remeteu ao encobrimento, o PSD, arrecada os votos de protesto.

O B”E” na sua confusão ideológica de partido de “protesto”, engoliu a redução para metade dos votantes. E só entra em Albufeira pela televisão, pois o seu membro da assembleia municipal não esteve ao lado de nenhuma causa pública… afinal como a deputada que elegeram pelo Algarve e recebeu a mesma desconfiança.

A efemeridade do B”E” desenha-se porque o seu papel social, a natureza de classe e as propostas reformistas que espalha, são preenchidas pelo P”S”.

A CDU manteve-se igual e continua a reserva mental da democracia burguesa que abraçou. Fala dos direitos da população sem lhes dar saída… de luta de classes e soluções de classe nem dos arrazoados fazem parte.

No meio dos interesses mesquinhos que se têm servido com sucesso dos recursos do concelho, a população continua à mercê da prepotência e uso do PSD, que vê o seu presidente de assembleia, principal mentor das políticas oportunistas e de proveitos para a família política e apêndices, subir ao parlamento por avença de Mendes Bota em qualquer prometido… lugar de Governo…

Luis Alexandre

4 comentários:

jesimões disse...

Numa análise de Esquerda, nem o papel social, nem a natureza de classe, nem as propostas do Bloco são (ou alguma vez poderão ser) preenchidas pelo PS.

Penso, pelo contrário, que o Bloco definiu, claramente, a área a que pertence - por ANTAGONISMO com a linha neoliberal e confirmadamente capitulacionista do PS: a de partido democrático e socialista.

Quem se distanciou do Bloco, parece-me, é que preenche esses "requisitos" ditados pelo "arco da Troika"...

Para o teu erro de análise ser completo, concluo: o BE não é um partido da "moda", é um partido da Esquerda... Comprovadamente.

Luis Alexandre disse...

Como um analista já escreveu, o B"E" anda próximo da social-democracia.

O B"E" é um produto burguês fundado por restos partidários, de pretensa abertura a correntes ideológicas por razões tácticas e também estratégicas para arrecadar as bolsas descontentes da sociedade, particularmente os jovens e uma determinada camada de intelectuais desalinhados em buscas sem fim, para que estes não se aproximem do pensamento revolucionário no qual tal amalgama não se revê.

O B"E" é claramente um partido reformista, interclassista, que vende a ilusão parlamentar, que renega a luta de classes e a sua solução, procura vender o P"S" como socialista quando este enveredou vincadamente no neo-liberalismo.

Tirando os esforços dos seus dirigentes em apregoar que têm uma ideologia, num cozinhado de troskismo com pensamentos reformistas (os tais próximos da social-democracia), a base de votantes são pessoas das faixas descontentes e não quaisquer seguidores de uma linha de princípios que o B"E" tenha tido capacidade de montar para agregar e manter ligados por convicções.

O B"E" é claramente mais um partido burguês para vender teorias às fatias ou às paletes para entreter o povo e desviá-lo das suas árduas tarefas de derrubar o capitalismo e o seu poder.

jesimões disse...

Aos pseudo-"revolucionários" devia bastar-lhes o fracasso da sua concepção de Estado, criada, pretensamente, a patir da teorização de Marx - Estados esses que "evoluiram" para ditaduras fascistas ou plutocracias mafiosas, na sequência natural de direcções burocráticas lideradas por facínoras e genocidas antimarxistas, que se pretendiam "comunistas".

Não aprenderam (nem vão nunca aprender) a retirar lições da História.

Não conhecem o marxismo (os disparates que dizem, nomeando-o, são próprios de quem nunca o leu) mas, pior, "congelaram-no" em cartilha, absolutamente inaplicável, por uma razão muito simples: o mundo não "congelou" no tempo de Lenine (o mentor de tal equívoco)...

O BE pertence às correntes renovadas que, por toda a Europa, responderam à ruína do mundo pretensamente socialista, através da interpretação crítica do vasto património cultural da Esquerda.

Que os "alunos marrões" e pouco perspicazes, autoproclamados marxistas-leninistas - os responsáveis pelo referido fracasso - não entendam a evolução e adequação do pensamento, à luz da História, de uma teoria que PERMITE E ESTIMULA essa exercício em contínuo, é coisa que acho natural (vinda de quem vem), mas que me abstenho de comentar mais.

Limito-me a sugerir-lhes que leiam Marx no ORIGINAL (e sem HÍFENS...).

Anónimo disse...

Pois que se façam análises e conjecturas, interpretações e leituras... que todos opinemos e respeitemos a fala de cada cidadão livre...
Mas convenhamos!
Há coisas que custa engolir!
O Correio da Manhã traz uma amostra e prova do nível de instrução escolar e académica que tem o nosso (salvo seja!)Presidente de Câmara de Albufeira.
Oh Sr Presidente! Não se demita nem faça nada que o diminua. Mas c'a diabo! Já chega de querer dar nas vistas nos jornais nacionais para seu autocontentamento. É que, o que diz e escreve só o coloca mal e empobrece. O Sr não sabe escrever. Pois não escreva porr...!!! Porque é que havemos de dar com a sua cara cá pelas ruelas de Albufeira e projectar a triste e indigna imagem que nos deixa nos seus murmúrios do Correio da Manhã. Não só escreve mal português, como incita a que qualquer um possa continuar a escrever como bem lhe aprouver! É democracia! Mas não confunda os valores da instrução, de algum nível cultural e literário, que deve ser o primeiro dos atributos para quem quer escrever num jornal nacional. Enxergue-se uma vez que seja a si mesmo, homem!
Você é a demontração da vergonha que não devíamos perder. Por nós mesmos e em mesmnos! O que mais este tipo de conduta poderá deixar antever!?
Se quiserem que eu parafraseie o nosso merecedor cronista Desidério é só dizer.