quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DOURO DESTINO TURÍSTICO DE EXCELENCIA MUNDIAL




TEXTO PARA LER E REFLECTIR


Da excelência do Douro como destino turístico já poucos duvidavam. Faltava o reconhecimento de uma entidade internacional. Conseguiu-o. Ganha maior visibilidade no Mundo e a potencial preferência de mais turistas.
Desde Maio deste ano, especialistas do Centro Mundial de Destinos Turísticos de Excelência (CED), com sede em Montreal, no Canadá, desenvolveram no Douro um sistema de medição das suas potencialidades. "Está concluído e vamos apresentar o relatório na terça-feira (hoje à tarde, no Centro de Congressos da Alfândega Nova) no Porto", disse, ao JN, o director de operações, César Castañeda.
Apesar da confidencialidade do documento, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-Norte), Carlos Lage, tem a certeza de que a região duriense vai merecer figurar "num lugar cimeiro" no cartaz das melhores regiões turísticas do Planeta. "Ninguém de bom senso e bom gosto vai recusar ao Douro a condição de destino de excelência", opina.
Numa analogia às estrelas Michelin que distinguem a excelência das unidades de restauração, o reconhecimento do CED, acrescentado ao título de Património Mundial que o Alto Douro Vinhateiro já ostenta faz sete anos no próximo domingo, vai "assegurar um acréscimo do número de visitantes". Disso não tem dúvidas o chefe de projecto da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães.
Mas não é só o turismo cultural que sai a ganhar. "Os vinhos do Douro e do Porto vão ser mais procurados um pouco por todo o Mundo", confia aquele responsável. Claro que esta dimensão não se atinge de um dia para o outro, "não se faz por artes mágicas", e, assim, vai levar algum tempo até a excelência total ser alcançada.
Os resultados da medição feita pelos peritos do CED às diversas componentes da oferta turística do Douro foram vertidos num relatório que aponta à região virtudes, a potenciar, e defeitos, a corrigir. No grupo da excelência: a paisagem, os vinhos, algumas unidades hoteleiras de qualidade; no das lacunas: a falta de camas, qualificação insuficiente de recursos humanos, sinalização escassa, rede de infra-estruturas de acostagem do rio a necessitar de melhoramentos, e as dissonâncias ambientais, como são exemplo as lixeiras clandestinas, entre outras.
Há mais, claro, num e noutro prato da balança. Mas os maus exemplos tendem a ser debelados. "Nós temos de corrigir o atraso, subindo dois degraus da escada de cada vez. Mas não podemos subir quatro, se não tropeçaremos", metaforiza o chefe da Missão do Douro, para explicar que não se pode fazer tudo ao mesmo tempo.
Ricardo Magalhães considera que o rumo traçado é o "certo". Na passada quinta-feira, terminou uma série de reuniões com agrupamentos de municípios para "tirar o devido partido" do Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro, estimulando agentes públicos e privados. É que no âmbito do Programa Operacional da Região Norte, há 37,5 milhões de euros para financiar projectos, cujo investimento global pode chegar aos 50 milhões. E isto é uma excepção, em todo o Norte do país. JN

COMENTÁRIO:

A Região do Douro é sem dúvida deslumbrante e merece tal distinção.Esta distinção para além da vantagem de expor o Douro como destino de excelência tem, sobretudo, a vantagem de atrair mais investimentos que terão de se fazer dentro de critérios de qualidade mais estreitos e em defesa dos conceitos históricos, paisagísticos e ambientais.No Algarve, zona de excelência e com características únicas na Europa e no Mundo, com uma linha de costa com três partes bem distintas e numa grande harmonia com as suas serras miradouros, foi olhada como zona de exploração e especulação, que só a pressão crítica das populações e de alguns agentes internacionais, fez abrandar. Os muitos responsáveis políticos, desde deputados da Região a executivos camarários, nunca lutaram por alcançar este tipo de distinção porque a pressão imobiliária decorrente da procura dava muito lucro às Autarquias e a alguns agentes corruptos.O estado de degradação a que se chegou, com a consequente perda de procura de turistas estrangeiros e só colmatada pelo aumento da procura interna, vai obrigar as autoridades a repensarem o modelo de desenvolvimento e a adoptarem uma nova estratégia assente nos valores da preservação e qualidade.As quebras esperadas para o próximo ano e seguintes, que poderão convulsionar o sistema económico e social do Algarve,vão por à mostra todas os erros que vinham sendo apontados e têm de determinar uma mobilização geral para a discussão desse novo modelo para o seu relançamento.Muitas outras regiões turísticas estão em crise e aquelas que apostarem em projectos inovadores e ousados vão com certeza sair na frente.

Luís Alexandre

5 comentários:

Anónimo disse...

Belo trabalho e bom exemplo, sem dúvida... Acontece é que no Douro trabalha-se e por estas paragens especula-se.
A beleza natural duriense têm como base a produção do nosso maior embaixador no mundo.
As belezas daqui são o pretexto para que haja rentabilidade sem coordenação, pois é "um vê se te avias" para que se construa como e onde os senhores especuladores quiserem.

Anónimo disse...

A Comissão de Coordenação Regional do Algarve (CCDRAlg), em sede de concertação das 24 000 camas previstas no PROTAL, atribuiu 600 a Albufeira, na passada quinta-feira.

Quantas estaria a solicitar o Executivo Camarário? Terá ficado satisfeito?
Serão essas de excelência ou de "TimeSharing"?

Quem pergunta isto na próxima sessão da Assembleia Municipal ou da vereação da Câmara?

Cidadão Atento

Anónimo disse...

O Algarve se não entrou em parafuso tambem não lhe falta muito.De todo o lado andam a avisar que vêm aí tempos difíceis. E o turismo, com a falta de dinheiro como é que vai ficar? Já pensaram nisto ? Que saídas é que temos se nos falharem os clientes como tudo leva a crer que vai acontecer. Toda a gente anda a pedir ajudas ao governo e ainda não ouvimos nada dos responsáveis por este sector que alimenta a maioria da população activa do Algarve. No Norte luta-se pela excelencia e nós cá em baixo estamos a perder força e clientes porque deixámos estragar a nossa terra. Temos de julgar os maus políticos.

Tobias, o sábio

um amigo de albufeira disse...

No conjunto do País, a região do Algarve nunca foi respeitada pelos poderes instituídos em Lisboa e foi alvo de todas as cobiças de especuladores de todos os matizes, nacionais e estrangeiros.

Anos a fio, o Algarve foi usado para produzir moeda estrangeira para pagamento das importações e os políticos locais fecharam os olhos, não reivindicavam contrapartidas, tal como o Governo Central fechava os olhos aos atropelos às Leis que destruíram espaços naturais e descaracterizaram uma Região de eleição.

Os resultados estão à vista, as criticas de operadores são desprezadas, insistimos que eles é que estão errados e o afastamento dos clientes é inevitável e pode atingir uma dimensão insustentável.

Os líderes, cegos pelo poder e bajulados por todo o tipo de senhores da opulência, cometeram erros que colocam em risco uma imensa maioria da população que vive do Turismo.

O ano de 2009, por ser ano de várias eleições, traz muitos perigos e a venda de ilusões podem desarmar os agentes económicos e deixá-los indefesos ao nível de conterem custos numa gestão rigorosa.

O Algarve não merecia estar sujeito às chamas do inferno e aquela minoria que tirou partido dele, está longe destas preocupações.

Eu disse...

Os donos do dinheiro não pararam por um minuto para olhar o rasto de destruição que íam deixando e que eles próprios agora vão notando quando as ocupações vão descendo, e descendo vão também os seus lucros. Mas o que é realmente grave é que quem fica sem rumo´são os residentes que vivem do turismo e que vêem a sua terra destruida. Aqueles que mataram a galinha dos ovos de ouro, esses não têm problemas, já têm o seu lugar ao sol reservado noutro lugar onde o sol brilha em cima da cama, a vista é deslumbrante, as árvores ainda limpam o ar para eles respirarem, onde ninguém, nem eles, ainda destruiram o que é de suma importância neste planeta onde vivemos: a natureza e a tradição cultural.