sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A POBREZA NA TERRA DOS MILHÕES

"…como sabem estamos em crise, este Natal a Câmara não tem ofertas para as crianças…"
palavras do Presidente Desidério Silva por ocasião do desfile dos pequenos pais natais


O próximo ano está anunciado como muito difícil para os portugueses.
Antes do anúncio da hecatombe de Setembro passado, que vinha sendo camuflada pelos políticos coniventes, a situação económica e financeira de Portugal já não estava bem, com a quebra do rendimento das empresas, com a fuga de outras, com os juros em subida sufocante tal como o desemprego e o endividamento das famílias, sem que o Governo mostrasse capacidade para resolver estes problemas.
O sistema social português corria em degradação acentuada.
O desinvestimento na saúde, no ensino, nos salários da função pública e nas reformas, em nome da contenção da despesa, estava a empurrar as classes mais desfavorecidas para níveis de empobrecimento mas, com o rebentar dos esquemas fraudulentos do sistema financeiro capitalista, o Governo, em consonância com os seus congéneres europeus, vê-se obrigado a mudar o discurso e o que não era possível passou a inevitável.
Antes de preparar as respostas aos impactos negativos na população, apressou-se a salvar o sistema financeiro e os seus agentes especuladores e fraudulentos.
De uma situação de mentira continuada ao povo, passou-se para outra situação “milagrosa” de disponibilização de milhares de milhões à Banca e mais uma vez em nome do bem colectivo.
Se os traços característicos da sociedade portuguesa eram de empobrecimento crescente, fruto da globalização e da racionalização de custos, esta profunda crise, ao abalar todo o sistema económico e financeiro e as empresas que lhe dão suporte, agudizou todos os factores de incerteza com a inevitabilidade de que quem vai pagar a pesada factura serão as classes trabalhadoras.
Com menos dinheiro a circular, com menos poder de compra e mais encargos familiares, porque todas as famílias serão atingidas pelo desemprego de um ou mais membros e com situações de endividamento para os quais não abundam meios, nenhuma entidade governativa, central ou local, pode ignorar a necessidade de elaborar programas de apoio aos sectores carenciados.
Entre todas as actividades económicas, o Turismo, pelas suas características de assentar nas economias familiares e ser um produto vulnerável e do qual depende toda a Região algarvia e o Concelho de Albufeira, vai ressentir-se com alguma intensidade, enfrentará quebras fortes nas receitas e empregará menos gente e por um período mais curto o que terá reflexos negativos na vida das famílias e nos seus comportamentos sociais.
Uma parte importante da população albufeirense, incluindo franjas do pequeno Comércio, não vai ter meios de subsistência e adivinham-se tempos difíceis, que põem em causa a etiqueta de cidade com mais qualidade de vida, que esta Câmara Municipal se esforçou por contratar.
A queda na pobreza e a perda de valores e esperança, acumulará energias reactivas e de convulsão para as quais o Executivo camarário tem de procurar dar respostas.
O Orçamento para 2009, apesar dos seus números milionários com o aumento de receitas inscritas em mais 8 milhões de euros, estipula verbas irrisórias e em nada diferentes dos outros anos para a acção social e não contempla quaisquer outras para atender às situações sociais de emergência, o que mostra desatenção para com os problemas dos seus munícipes.
Estaremos perante uma desatenção, indiferença ou incapacidade de ler as situações sociais que, em palavras, estão na primeira linha de todos os políticos locais e nacionais?

Luis Alexandre

Membro do FORUM ALBUFEIRA

13 comentários:

Anónimo disse...

è natural que o presidente Desidério não tenha dinheiro para dar pequenas e insignificantes prendas às crianças porque esbanjou muito, mas muito, dinheiro com as suas modormias e viagens com comitivas, a Cabo Verde e outros destinos, cuja eficiência e benefício para os albufeirenses são inexistentes, e deixam muito a desejar para um homem que se diz sério e prometia rigor.
Porque dúvidas, ninguém as tem.
Se lhe restasse um pouco de vergonha nem desculpas esfarrapadas ele dava à criançada.
Resta-me a mãozinha direita para bater no peito, durante a Missa do Galo!!

Padernense

Anónimo disse...

Não está a ser fácil viver nesta cidade, as rendas de casas são caras, chega-se a ver 10 11 e mais brasileiros vivendo ao monte , familias numerosas e filhos com filhos, aqui é cara a vida do dia a dia, os infantários são mesmo altos e até uma ama está dificil de pagar e grave é que o trabalho já foi melhor pago e nos invernos há cada vez menos trabalhos. A vida já esteve melhor e se o governo não olha para os trabalhadores vamos ter muita fome. Aqui perto o café diz que nem á bica vão e de dia estámorto e vamos a ver no que vai dar

Anónimo disse...

A luxúria em que tem vivido esta Câmara vai de vento em popa e pro ano de eleições há dinheiro á farta para as festas as luzes, as viagens uns pagamentos extras de serviços e com o povo da terra a pagar.

E se a familia não tiver a massa pra renda da casa dão ajuda ? e as crianças vão ter computadores pro ano ? e os chefes vão ter um jantar especial ? e casas para morar que o nosso dinheiro chegue pra pagar ?

brejos

Anónimo disse...

o presidente disse uma vez que só havia pobreza envergonhada não ligou patavina e passado este temp todo não vê mais pobreza, não vão mais pessoas pedir ajuda á Camara ? Na Camara estão cheis de dinheiro e o resto que se lixe.

Anónimo disse...

A camara nada assim em dinheiro ??? e onde onde está ele usado ??? fico com muitas duvidas porque quer-se infantario par a um filho e não há e na camara dizem que temos de esperar, não é justo !!!! é só o que tenho a dizer.

Anónimo disse...

Meus caros, é obvio: as crianças não têm idade para votar, logo, não há voto não há prendinha

política à moda de albufeira (34) disse...

Estamos a passos largos em direcção ao fim do ano, de um dos pontos altos da actividade camarária a par do dia do Município, dito pelo seu Presidente, que pelo caminho teve de passar pela chatice de apresentar o Orçamento para 2009.
Ter que explicar onde se vão gastar, os irrisórios 92.381.930.00, dá trabalho e a Lei devia isentar as maiorias absolutas.
O PS, como não vai gerir o bolo, só podia votar contra e dizer cá para fora que o dinheiro se estivesse nas mãos deles seria usado de forma diferente.
E até apresentaram um rol de queixas, de inoperâncias, que afinal se arrastam desde os tempos, não longinquos, em que o PS tinha as chaves da cidade.
A política em Albufeira é mesmo assim, alternância ou continuidade, PS ou PSD, a população saíu sempre a perder.
A enfrentar uma crise há vários anos, com sinais de pobreza crescentes, a actividade económica e a população, que pagam os impostos mais elevados do País e suportam um custo de vida alto, por causa da fama de Concelho rico, que a Câmara não se cansa de apregoar, não vão ter folga e nem o Executivo lhe deu a devida importância.
Uma indiferença que tem de ser julgada políticamente.

Anónimo disse...

Pois vamos de mal a pior. E não são meras queixinhas. O nosso concelho só tem fama de rico, porque a população, essa está cada vez mais pobre. Pudera, á custa do que é extorquido todos os anos a quem trabalha honestamente.. Mas é curioso ver aqueles que, à custa da propaganda de que Albufeira é terra rica, vêm em busca da galinha dos ovos de ouro... Arrependem-se logo depois quando passados uns meses se apercebem de que dependemos todos (o Zé Povinho claro) dos 4, 5 meses de turismo de massas e de que depois agonizamos à espera do ano seguinte. Até os ingleses que para cá vêm em busca de trabalho e criar os filhos, enrolam a chita e voltam rapidamente para a UK quando vêem que estão a ficar depenados e que não há negócio que eles montem que se consiga aguentar e dar para viverem muito tempo por aqui.

Parece que nem o sol os vale.

O que os nossos dirigentes políticos pretendem fazer para tentar inverter este processo de empobrecimento galopante que agora se agudizou e para melhorar a vida dos albufeirenses não sabemos.

Que estratégias estão a estudar? O que vão fazer para criar mais ensino pré-escolar? ...mais camas para idosos abandonados em suas casas? ...mais qualidade e rapidez de atendimento no centro de saúde? ... a reabertura do seu internamento? ...a suspensão da especulação imobiliária e da construção desenfreada? ...

Talvez a tal da crise traga ao de cima os resultados da insensatez de décadas; talvez os problemas de empobrecimento generalizado, de Albufeira e do mundo, façam perceber aos dirigentes dos destinos comuns que o maior ganho não é o monetário.

Vamos ver se algo muda... Vamos ver.

Anónimo disse...

Albufeira necessita é de alguém no poder que se preocupe verdadeiramente com a população!!!

firmino disse...

Uma Câmara que em tantos anos de poder não fez uma casa para amostra, para os mais necessitados e não foi por falta de dinheiro, mostra logo o que vale. Tanto dinheiro derretido em festarolas e foguetes, como a ano passado na marina que pagaram milhares de contos para cantarem para mil pessoas. Isto é dinheiro à rua como as reparações que são precisas para por as obras Polis em condições. São milhões que esta Câmara tem mandado à vida e com uma parte da população já passando privações. E não deram brinquedos às crianças???!!! que nojo.

anónimo de cá disse...

Este artigo caiu na hora certa falando dos mais pobres e outros que vão ficar desempregados e com muitas dificuldades para alimentarem as famílias. Vamos ouvindo noticias que o Governo vai ajudar vejam só, funcionários públicos que precisem e o Presidente de Vila Real Sto. António disse na TV que preparou uma Agência para ajudar de muitas maneiras as pessoas que ali forem pedir ajuda e neste Concelho o que estão fazendo ? NADA, nem uma palavra se ouve sobre o assunto e até parece que aqui todos vivem bem. Que grande mentira e quando pessoas não tiverem saídas quero ver o que vão dizer ou fazer por elas. Só quero ver se vão dizer que estão em crise e não podem fazer nada e não me admirava nada, mesmo nada.

Anónimo disse...

de um albufeirense . Srº Firminio quer que a camara faça casas para quê para dar aos ciganos que estão por de tras do clube de pesca como foram as outras dadas . como o terreno é da Santa Casa a Dª Helena vai dando abébias aos ditos e quem está na camara que faça casas para eles . todos teem direito a uma habitaçâo mas gostava de ver se fosse o Srº se fazia casas para eles que nem da terra são. quanto ás festarolas e especialmente ao Polis ai dou-lhe toda a minha razão . apesar que Albufeira nas festas de fim de ano ser das melhores do País

S. Andrade disse...

Já andam a deixar os políticos de Albufeira zangados. Até mandaram o Pai Natal para a Lapónia mais cedo.
É pena! Os miúdos que lá vão abaixo, porque lá está uma pista de gelo, de certeza que gostavam de ver a pequena casa que foi reservada para o Pai Natal e de fazer o seu pedido, mas a câmara lá terá as suas razões. ´
Não sei como vai ser, mas que Albufeira tem todos os dias mais e mais desempregados, firmas a fechar e pessoas no limiar da pobreza, a isso já ninguém consegue fechar os olhos e se os autarcas sentissem isso na pele, era para os seus semelhantes que direccionavam os tais dos milhões. Sabemos, no entanto, que mais cedo ou mais tarde, o sofrimento dos outros acaba por bater também à nossa porta. E aí acordamos.