segunda-feira, 3 de maio de 2010

NÃO HÁ BACELAR, SOARES OU HONÓRIO, QUE CALEM O ALGARVE!


Os três eleitos por Lisboa para representarem o Algarve, dos quais deveríamos esperar a sombra acolhedora para a atmosfera quente em que se cose a região, continuam as suas vidas cosmopolitas, ligados às novas tecnologias para se inteirarem do que vai acontecendo.

À simples distância de um click, sabe-se tudo sobre o dia-a-dia passado, ficando as leituras que vieram cá fazer e as antevisões solucionadoras em que se derreteram, ao fresco das estratégias nacionais.

Estas ilustres figuras, a quem o Algarve não deve nada, dão uns tiros na imprensa regional e uns palpites na Assembleia da República, escrevendo e falando a reboque, exigem que a insegurança pare, que o desemprego estanque, que o Algarve tenha alternativas ao Turismo e se desenvolva, mas se a população local não levantar a voz e importunar o poder central, tudo não passa de música erudita para eleitor ouvir.

Das “passinhas do Algarve”, que são sentimentos históricos de quase desprezo pelos problemas mais profundos, até às promessas mais recentes do despudor eleitoral, os três magníficos protegem-se em requerimentos e desabafos respeitosos no local de trabalho, a condizer com a obediência dos cargos.

Todos entraram de favor pela região, votando os algarvios nos de cá menos um, mas, os resultados, mais passas, menos passas, vão dar ao mesmo. Todos interiorizaram o alto interesse das suas intervenções, achando-se cumpridores dos compromissos assumidos, que os chefes gerem como querem.

Os de cá, se gozam da mesma improficuidade, ainda carregam o papel de subalternos e de últimos a serem ouvidos. As legislaturas passam, os problemas permanecem e eles também resistem às cumplicidades que apadrinham. Mas, os de cá, nunca se esquecem dos protestos… à posteriori e, ultimamente, fica a ideia de que sabem das notícias pelos jornais…

Com o ambiente criado e sem que se perceba que esta situação seja traumática para as estruturas regionais dos partidos, não admirava nada que as próximas listas ficassem ao arbítrio de Lisboa e que o primeiro governo regional não tenha Bota como candidato mas, um qualquer Bacelar, seguindo-lhes os outros os passos.

Ainda não passou um ano sobre a categoria dos serviços prestados por estes deputados de fora e, restam poucas dúvidas de que lado estão. Quanto aos deputados de origem regional, se na Assembleia da República claudicaram nas legitimidades que nos pediram, poderemos esperar muito no âmbito das negociações e concretização da regionalização?

O Algarve continua anestesiado, com muitos de cá a segurarem na seringa…


Luis Alexandre

3 comentários:

Anónimo disse...

QUEM OS ELEGEU FOI O POVO DO ALGARVE, AGORA AGUENTEM-NOS. OS BOTAS ALGARVIOS SÃO IGUALMENTE UMA ESCUMALHA E NÃO SÃO MELHORES QUE ESTES PAPÕES QUE VÊM DE FORA
MTP

jesimões disse...

A designação do cargo, "deputado da Nação", indica desde logo que, no nosso sistema, os deputados não se vinculam necessaria ou exclusivamente a uma região ou aos eleitores que aí os elegeram. A sua vilegiatura é nacional, logo, os eleitores do distrito de Faro (como os de todos os outros)não elegem deputados "seus", mas sim uma parcela dos representantes do todo nacional, proporcional, como se sabe, ao número de eleitores do distrito.
Por outro lado, quem tem obrigação de acompanhar a política local e colocar as questões que ache relevantes no Parlamento, por via dos seus deputados, são as estruturas distritais partidárias. O ddeputado, portanto, funciona como um "veículo" do partido que o fez eleger, no órgão legislativo nacional. Melhor que ser de Faro ou de Viana do Castelo, é que seja competente para o fazer.
Outra coisa será, necessariamente, o motivo pelo qual as estruturas nacionais partidárias não confiam os lugares elegíveis no distrito de Faro a algarvios. Lamento constatá-lo, mas essas estruturas revelam não ter em grande consideração a capacidade política dos políticos da região.
Apesar de ser uma simples constatação de um facto, não vou ser eu, pelo que conheço da sua actividade, a dizer que, na maioria dos casos, os directórios nacionais não têm razão... Muito mal estará uma nação que se reveja em Desidérios, Botas e quejandos.

Anónimo disse...

O que o Zé Simões diz está certo, mas não deixa de ser a praxis politica dos partidos nacionais que colocam nos distritos os seus boys sobrantes de lisboa e porto de acordo com as hipoteses de eleição, ora isso está errado. O que tem de acontecer é a revisão constitucional que acabe com esta pouca vergonha e os deputados terão de ser eleitos uninominalmente, isto é as pessoas têm de saber e escolher os seus eleitos que nunca poderão ser os mediocres mas sim aqueles que em primárias mereçam pela sua capacidade politica convencer os eleitores e só esses serão postos a sufrágio, evitando-se que botas, desidérios, honorios, bacelares e quejandos como diz caiam aqui, e na provincia em geral de paraquedas nas vesperas das eleições. MAS COMO CADA PAÍS TEM O QUE MERECE, PORTUGAL NÃO MERECE MAIS QUE A CLASSE POLITICA QUE TEM, BASTA VER QUEM TÊM SIDO OS MINISTROS NESTES 36 ANOS DE DEMOCRACIA DO PIROLITO!!!

TRISTÃO DA SILVA