sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SAZONALIDADE, O CANCRO DO TURISMO!




A sazonalidade é a doença gangrenosa do Turismo e todos os responsáveis do sector e autárquicos têm adoptado uma atitude lasciva, deixando que a sua propagação consuma os recursos físicos, mentais e financeiros de uma actividade demasiado desgastante.

No caso de Albufeira e a realidade no resto do Algarve não é muito diferente, de facto, para a tesouraria da Câmara Municipal nunca ouve sazonalidade, vivendo até momentos de grande felicidade de aumento de receitas, em contra-ciclo com as actividades económicas do concelho.

Na última década e com maior incidência de 2005 para cá, todos os factores que sustentam a pandemia da sazonalidade têm-se agravado, colocando as empresas em sérias dificuldades financeiras e por arrastamento criando menos emprego e de menos qualidade.

A especulação imobiliária sustentada pelas decisões camarárias, contribuiu por um lado para o aumento exagerado da oferta e dos números irreais que se pedem pelos imóveis e pelas rendas e, por outro, massificou os espaços ao ponto de termos uma cidade enorme e sem as condições de beleza e sustentabilidade para prenderem proprietários e visitantes.

De cidade turística que já chamou no passado turistas durante oito meses do ano, estamos agora nuns escassos 3 ou 4 meses, o emprego que era para todo o ano ou a maior parte dele, está sujeito a contratos cada vez mais curtos e com piores salários, os encargos financeiros dos investimentos e de sustentação do negócio que se liquidavam no verão seguinte arrastam-se por mais anos levando à degradação das estruturas e da imagem dos estabelecimentos, enfim, enfrentamos problemas que nunca foram compreendidos pelas autoridades responsáveis, quanto mais combatidos.

Em oito anos de gestão do PSD, apesar de o seu programa falar timidamente de sazonalidade, na realidade nada foi feito para manter os níveis de apetência e chamamento dos visitantes de modo a minorar os efeitos negativos do crescimento desmesurado da oferta e do inegável afastamento das franjas com maior poder aquisitivo.

O Turismo de Albufeira degradou-se, somos obrigados a investir mais em captação e convencimento, quando no passado não muito distante, todas as qualidades naturais do concelho funcionavam por si e induziam a voltar, bem como uns bons milhares de idosos escolhiam esta terra para permanecerem os meses de inverno.

O cimento e a perda de qualidades não têm convencido as novas gerações de turistas e o executivo camarário, que renovou os seus votos á frente do concelho, voltou a falar do assunto nas suas promessas eleitorais sem que contudo se conheçam quaisquer planos a não ser o de continuar com o cartaz de fim de ano.

É pouco e precisamos de muito mais. Já o afirmámos no passado, a cultura e os seus consumidores são um potencial inexplorado. As iniciativas temáticas sustentadas em programas dirigidos a determinadas faixas etárias, são outra direcção a seguir e até o envolvimento das comunidades estrangeiras radicadas entre nós pode ser conseguido em acções que geram riqueza e têm reflexos além fronteiras. É tudo uma questão de vontade e imaginação e por vezes não são precisos muitos meios.

Também corroboramos as críticas dirigidas ao ALLGARVE, entendendo que em tempo de crise, mais do que animar é preciso concentrar os meios financeiros disponíveis em publicidade do destino nos velhos mercados onde já somos conhecidos bem como em novos e promissores.

É preciso travar o avanço da sazonalidade e preparar planos e meios para o fazer. Basta de atitudes contemplativas.

Também temos consciência que não basta agir ao nível da publicidade e da animação e que são precisas intervenções paralelas ao nível da requalificação urbana, dos edifícios históricos e tradicionais, da paisagem, do ambiente e da criação de actividades económicas alternativas e incremento das pescas e agricultura regionais.

Estas são tarefas de concertação e empenho globais que ultrapassam as competências da ERTA e exigem uma confluência de vontades de organismos, autarquias e forças sociais e políticas.

Luis Alexandre

6 comentários:

CIDADÃO disse...

Pelo cumprimento da lei do ruido.
Pelo cumprimento da proibição da venda de bebidas alcoolicas a menores.

Mosse Debe disse...

Mosse Debe a falta de clientes ainda vai piorar mais antes que façam qualquer coisa e não podemos ser ingenuos porque não se faz nada porque não querem.

Anacleto disse...

8 Meses ao ano? eh eh eh e não é que as estatísticas dizem que há cada vez mais turistas (o numero de camas então subiu sem controlo algum) e agora dizem que isto só mexe 3 ou 4 meses ao ano. Os preços das dormidas são consoante a época, e então os hotéis até conseguem ter boa ocupação. (os de menor qualidade fecham de inverno) Por que é que os Restaurantes não descem um pouco os preços em épocas baixas? Calhando até os residentes saiam um pouco mais de casa. No artesanato igual... compram 'peças' por 10 ou 20 cêntimos e vendem por 4 ou 5 euros em época alta, façam uns descontos de Outubro a Maio. Chamem clientes. Quem mais querem que a Câmara faça? Se vai a feiras internacionais, é porque vão passear. Se traz eventos, é porque gasta dinheiro, se faz concertos então nem se fala.
Em tempo de vacas gordas, nem registam as coisas para não declarar tudo e pagar poucos impostos. Em tempo de vacas magras, vá de pedinchar ao Governo Central e à Câmara Municipal ajudas... Deixa andar que todos fazem igual não é? Seja qual for o sector... que se lixe o Governo.

Escarapão disse...

A sazonalidade, não é um cancro. É um factor que associado ao produto Sol e Praia! Não temos tido nem empresários, nem governantes, para enfrentar esta contingência.
Apenas agora, com algum Golfe, e timidas iniciativas de Turismo Aventura e de Natureza, como é um bom exemplo a Via Algarviana que não conhece épocas e tem um mercado constante e consolidado se está a enfrentar a Besta...
Há que dizer no entanto, que quem procura produtos alternativos não quer estar na confusao que é Albufeira.
Se calhar o continuar a fazer camas e casas não é o melhor...

CIDADÃO 2 disse...

Escarpão,tem toda a razão,continuar com a construção de mais blocos de apartamentos é uma politica errada.O que Albufeira precisa é de requalificar o que já existe e criar alternativas à praia e ao sol,voltando a apostar na época baixa no turismo de terceira idade ,que irá manter a ocupação hoteleira a niveis aceitaveis.Apostando também,mais no turismo de qualidade,e menos no turismo rasca do alcool e do barulho.
Restruturar os serviços administrativos,racionalizando a gestão do pessoal ao serviço da autarquia,agilizando os serviços,controlando os gastos e tornando os responsáveis pelos vários departamentos mais responsáveis pelos serviços prestados tanto em qualidade como em rapidez.Havendo mais situações a serem tratadas ,começando com estas já seria,quanto a mim,muito bom,dada a fraca queda para a restruturação evidênciada pelos nossos autarquas.

A.M.G. disse...

Albufeira comeu e engordou do turismo durantes estes anos todos mas está a ficar á vista que os proximos anos vão ser diferentes. Foi só construir e meter dinheiro ao bolso com a Camara a consentir. Albufeira vitou um monte de caixotes de cimento e nem um prédio de catagoria foi feito daqueles que se olha e diz que tem graça. Lembro-me de em Viena ir visitar um predio dum arquitecto famoso e o predio era mesmo diferente com arvores pelo meio e pelos vistos todas as excursões iam lá bater. Aqui é só casas abandonadas e velhas como ali para os lados de montechoro. levaram anos a construir merda para sacar dinheiro. E na Cãmar ainda há quem pense que quem cá vem não tem olhos na cara para a confusão que tornaram esta terra. E depois é ve-los passar nos aviões e nós estamos todos sentados á espera que entre alguem pela porta dentro.
Vivemos todos do turismo e a maior parte senão todos não sabemos fazer mais nada. Industrias não veem para aqui a pesca é o que sabemos c om meia dúzia de velhos e não vamos ter grande futuro por este andar.