sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Solidariedade não é um jogo!


A pouco mais de um ano das eleições autárquicas de 2009, o Presidente-candidato já está no terreno com a sua habitual onda de promessas de empreendimentos. Vai nascer mais uma aldeia, chamada de solidariedade.
Comprado o terreno há alguns anos, o Presidente andou com a ideia debaixo do braço e vendo a política social de 7 anos quase reduzida a zero e debaixo de críticas, pôs essa ideia, que não é sua (pertence à Nuclegarve, uma associação que começou por ser de camionistas e não tem nada a ver com solidariedade), à luz do dia e com pompa anunciou à cidade, na frente do projectista, um investimento de 10 milhões de euros na construção da "Aldeia da Solidariedade".
Não tenho nada contra o projecto, porque fala de necessidades reais da população do concelho mas, talvez se devam questionar e acautelar algumas situações.
A Aldeia vai ter várias valências, crianças de dia e idosos de dia e de noite. Fica a vários quilómetros da cidade, pelo que as crianças farão mais sentido serem das Ferreiras, não resolvendo as carências deste serviço na cidade. E os idosos que vão viver em "ghetto", fora da envolvência e calor social não se vão sentir mais sós e até desprotegidos? Se tiverem a cobertura policial que tem o concelho à noite, de certeza que iremos ouvir falar de assaltos e violência sobre esta gente. Está este assunto acautelado? E os transportes para todo o lado, em liberdade de movimentos também estão assegurados? E a assistência médica que falta no Centro de Saúde vai existir ali? Não nos esqueçamos que os idosos são um grupo de risco e pelo número previsto de habitantes da Aldeia , suponho que tenha de ser permanente.
A Câmara atira-se para as coisas em grande mas, tal como o Programa Polis/Câmara, esperemos que não venha aí mais um sarilho.
Em tempos de propaganda e de generosidade, a Câmara também atribuiu um bom subsidio à AHSA, tal como está envolvida nas intenções da APEXA em aumentar as suas instalações. Não estão em causa as acções meritórias destas Associações mas, e a secular Santa Casa de Misericórdia, pioneira e amparo de sempre dos carenciados do concelho, porque é que continua de fora? E os "Pirilampos" vão receber instalações condignas ou esses, porque ainda não votam, vão continuar a esperar?
A Câmara Municipal não pode passar ao lado dos problemas. As pessoas estão de olhos postos na maneira como são aplicados os dinheiros da área social e vão saber fazer as suas leituras e os seus julgamentos, levem o tempo que for preciso!

Luis Alexandre

3 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia caros senhores

Primeiro gostaria de homenajear o forum albufeira pelo facto de ser um sítio na Internet que verdadeiramente se interessa pelas gentes de albufeira, sem quaisquer tipos de interesses eleitoralistas.

Meu amigo o que é triste é viver numa cidade onde existe um PDM que não serve para mais nada a não ser para dar cabo dos sonhos e aspirações das gentes da nossa terra.Isso é que é muito triste. A culpa não é do Presidente ou da Câmara é da porcaria de leis que não servem para nada meu amigo.

Actualmente com 47 anos e desempregado até há pouco tempo, tendo trabalhado 22 na área da hotelaria e tendo que me afastar de Albufeira para conseguir arranjar trabalho vejo-me numa situação em que graças ao Plano Director Municipal não posso fazer nada com o terreno que possuo na Guia. Sendo natural de Albufeira e com possibilidade de criar alguma riqueza no concelho e de me empregar a mim à minha mulher e à minha filha também desempregada já vai para ano e meio (já fez cursos de secretariado e de montagem de ar condicionado sem sorte)não posso montar uma lavandaria industrial sabendo de antemão que existem carências nessa área. vergonha

Mas ainda o melhor é que não posso fazer nada de nada porque o terreno é considerado reserva agrícola, o que não deixa de ser cómico porque para além de um poço seco e de umas alfarroberas aquilo não tem qualquer utilidade para agricultura. A última pessoa a cultivar algo lá foi o meu pai já vai para 20 anos. E pior ainda sabendo que o terreno se situa a 500 metros de grandes áreas comerciais. é injusto.


É assim é que se vê como em Portugal os grandes tudo podem e fazem e o pequenino tem que ir para casa chorar as mágoas.

Isto é uma vergonha.

E pronto acho que já disse tudo e força. Continuem o bom trabalho porque Albufeira precisa destes sítios de encontro.

Abraço.

de mais um descontente disse...

Em Albufeira há muita qualidade de vida e depois dá-se dinheiro para ajudar pobres??? agora dá-se mais dinheiro do que antes e querem que a gente acredite e não paro de ouvir falar dos pirilampos. A Camara para que quer tanto dinheiro se não ajuda os miudos não está certo, hipocrisia.

Ana Santos Matos disse...

Com a grave crise económica que abala o País, vamos ter mais desfavorecidos a procurar as instituições. As instituições de solidariedade são um dos pilares da sociedade e localmente desenvolvem um papel muito digno de ajuda. Devem ser ajudadas sem discriminações porque elas conhecem o meio e as suas necessidades. Se há três instituições em Albufeira é porque as necessidades o justificam. Quem diria.
Os políticos que conduzem as Autarquias têm obrigações sociais e no caso de Albufeira, que é um Concelho rico, não faz sentido haver queixas dessas instituições.