quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Novos líderes, o velho compromisso


Ganhas as eleições partidárias regionais muito pouco participadas, fabricadas para não dar expressão a eventuais oposições internas, o que para os vencedores não é uma desvantagem de debate mas uma afirmação de convicções na continuidade, cada um derreteu-se em teses de circunstância, dizendo um ao que vem e o outro porque fica.

Miguel Freitas e Luis Gomes, são dois produtos da confiança das actuais máquinas de poder nas direcções centrais e estão completamente alinhados nas congeminações para o enfrentar da crise que criaram, incluindo aquela parte dos pacotes que estão destinados ao Algarve.

Tal como no passado recente, em que Mendes Bota e Miguel Freitas estiveram no essencial por trás do silenciamento da região, traduzido nas perdas de investimentos para o Algarve, na crescente desvalorização internacional como destino turístico e na falta de outras vertentes de dinamismo económico, o chegado Luis Gomes, representa apenas a renovação de compromissos.

Os dois eleitos sem concorrência, que querem fazer passar as suas vitórias por uma demonstração de consistência, que cai por terra pela fraca mobilização, não se mostram incomodados com o facto, cientes da hora de unidade em torno das propostas dos grandes líderes nacionais e das promessas de retribuição das fidelidades.

Na relevância dos umbigos, os discursos, embora seguindo caminhos diferentes, não deixaram de cair nos lugares comuns das juras de amor ao Algarve e aos seus eleitores, de preferência, emparelhando-se nas omissões dos temas mais candentes da actualidade regional, a saber: as portagens, o elevado desemprego, a pobreza, os problemas da segurança e as debilidades estruturais e económicas da região.

Se pelas convicções não chegaram lá, salvaguardando na região os interesses centralistas da luta pelo poder, de propostas credíveis e planos de intervenção, ficámos a zero.

O Algarve e os tentáculos partidários aqui instalados, cujas direcções políticas de subserviência nos vêm condenando, incluindo a de pagarmos o tributo de o primeiro lugar das listas ser atribuído a estranhos que não jogam por nós, reelegeu os ingredientes da continuação destas políticas e o tempo se encarregará de o provar.

Mendes Bota passou uma pasta cheia de nada, tal como a que anda debaixo do braço de Miguel Freitas. Estes dois políticos, trespassaram os últimos anos de perda de fulgor da actividade económica da região sem nunca equacionarem um quadro de crise e de reivindicação de medidas específicas, que perante a profundidade da crise mais geral que nos revisita, vai deixar o Algarve ainda mais pobre.

Nesta aurora de mudanças na continuidade, os algarvios vão continuar a ter uma mão cheia de nada… indiciada na postura quanto às portagens que, no momento, são um grande elemento de avaliação…

Luis Alexandre

2 comentários:

jesimões disse...

Instituir a Regionalização com esta classe política algarvia?...
É melhor equacionar bem o assunto, não vão ainda os algarvios, um dia, vir a ter saudades do Terreiro do Paço...

Anónimo disse...

a regionalização seria um desastre pois transformaria os botas do capachinho nos ALBERTOS JOÕES JARDINS, mas ainda mais caricatos

ALBERTO JOÃO