sábado, 21 de janeiro de 2012

Crónicas de Vasco Barreto

Loulé tem o melhor bolo de alfarroba do mundo



Um País que tem o melhor futebolista, o melhor treinador, o melhor bolo de chocolate, a melhor tarte de amêndoa, o melhor peixe, a melhor laranja, o melhor pão-de-ló, o melhor pão caseiro e tem também o melhor bolo de alfarroba do mundo não pode ser pobre. 

É na cidade de Loulé, mais propriamente na pastelaria amendoal que ele é fabricado e comercializado. Somos ricos em matéria prima mas pobres de espírito, Somos ricos em paisagem litoral mas não sabemos operar no turismo. Somos ricos em clima mas compramos guarda-chuvas. 

Quantos países por esse mundo fora adorariam ter a nossa riqueza. Somos no fundo um grande País o povo é que é pequeno.                 


Vasco Barreto

Albufeira.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Naufragar é preciso?


 
Um texto saboroso (ou gostoso como diriam os brasileiros) sobre o dito acordo ortográfico…


"Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?

Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?

A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já um planeta novo, onde as regras ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extra-terrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os portugueses.

Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.

Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.

Questão de educação.

Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: “Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.

A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.

A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.

Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?

Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista, que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.

Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.

Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.). E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.

Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.

Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.

A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos; faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxónicos, pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.

Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.
Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.

Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégica que persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.

De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?"


O texto que acabaram de ler é de autoria de João Pereira Coutinho, escritor português e foi publicado na Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Xuxalistas iniciam caminhada autárquica

Este é o punho da dívida e da exploração para a pagar


Este sábado, no conforto do Hotel Montechoro, a trupe dirigista do P"S" local vai reunir-se para debater matérias relacionadas com a problemática autárquica.

Para o efeito e sabendo do profundo isolamento que gozam entre a população, os velhos dirigentes de derrotas e conluios, procuram aliciar cidadãos de algum modo ligados ao movimento associativo para lhes servir de almofada.

Com tantos problemas que se arrastam no concelho, estes falsos socialistas não abordam objectivamente nenhum, na abundância da cangalhada de temas que levam ao palco.

Na palha de um dia inteiro, esta gente que virou costas ao sofrimento da população e aos problemas graves que afectam a actividade económica do concelho, mostram bem de que lado estão e porque razão assinaram o mais grave plano de ingerência estrangeira.

Apoiantes dos planos de exploração do povo português impostos pela Troika para o pagamento de uma dívida odiosa, em boa parte criada pela sua governação, julgam dispor de espaço na consciência política das pessoas e que estas lhes vão limpar as mãos sujas.

Os crimes da gestão desiderista e do PSD e o estado de falência da autarquia, têm a conivência dos falsos socialistas, que apenas se reúnem na perspectiva da luta pelo poder e dos tachos que este proporciona.

Depois da experiência populista com David Martins que falhou a todos os níveis e serviu de interregno, eis que os velhos quadros manhosos voltaram a ocupar todos os cargos na perspectiva de tirarem partido do apodrecimento da gestão laranja da autarquia.

Não mexeram um dedo para esse apodrecimento e julgam que a população não tem memória...


FORUM ALBUFEIRA

 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Revolta em dois tempos..., o povo não engole


“Utentes exaltados partem a pontapé divisórias de vidro da Segurança Social da Loja do Cidadão”…é assim que é relatado a revolta de utentes da Segurança Social no Porto, Torre das Antas.

As pessoas começaram a receber notificações da Segurança Social para devolverem os pagamentos recebidos indevidamente, ou atrasos nos pagamentos e subsídios. "Estão muito mais agressivas", queixa-se uma sindicalista…pedindo medidas para acautelar estas situações…quais? Não especifica!

Neste como noutros espaços de atendimento, depois de horas de espera, desesperados, os utentes sentindo-se defraudados, injustiçados, mostram a sua indignação e a situação tende a piorar...

As medidas a serem tomadas, não devem ser mais…polícias, ou mais seguranças, mas sim a unidade entre o povo trabalhador para contrariar as medidas lesivas e reaccionárias que atingem os trabalhadores em geral, lutando pelo derrube deste governo e impondo um governo de Esquerda Democrático Patriótico…partindo de raiz as barreiras deste sistema podre e caduco!

Utentes forçam entrada no centro de saúde de Queluz

Cerca de uma dezena de pessoas forçou ontem a entrada no centro de saúde de Queluz, durante uma vigília organizada pela comissão de utentes de saúde de Sintra contra a falta de médicos de família no concelho.

Este exemplo está acontecer um pouco por todo o país, e vai com certeza multiplicar-se estas acções, necessárias para impedir o encerramento de hospitais, de centros e postos de saúde, contra a falta de médicos, contra a redução dos horários de atendimento, contra as taxas moderadoras, em suma contra este Governo traidor e servil aos ditames da Tróica.
Nanium (Qimonda): trabalho forçado



Recebemos esta denúncia vinda de um trabalhador da antiga Qimonda, Nanium, que demonstra que mesmo antes da aprovação das leis de trabalho forçado, elas estão a ser aplicadas um pouco por todo o país…

«Venho por este meio informar-te que a administração da empresa em nome dos mercados e accionistas (BES, BCP e Estado/AICEP) pretende reduzir os actuais dias de férias (22+3 ?) para apenas 17. »

O trabalhador informa ainda que todos os horários inferiores às 40 horas semanais serão reajustados para esse horário, resultando na prática mais 4 dias de trabalho…como se vê a meia hora de trabalho forçado encapotada está bem patente.

Ver aqui o documento “explicativo” da empresa…

O TRABALHO FORÇADO NÃO PASSARÁ! MORRA O TRABALHO FORÇADO!
O que precisa mudar no Turismo



As alternâncias na área governamental têm sido sinal de mudanças de cosmética no sector do Turismo. Mas o essencial, os planos que transmitem confiança aos operadores, são secundarizados, deslocados no tempo, quando têm objectivos a cumprir.
 
Depois de uma década reconhecida de impasse na principal actividade económica do Algarve e quando a grave crise económica e financeira da Europa cobre de nuvens cinzentas o sector, mais uma vez, a intervenção governamental passa primeiro por nova escalada reorganizativa.
Cada ciclo de poder traz uma mão cheia de mudanças estruturais, sendo que as da actual Secretária de Estado têm uma afirmada chancela economicista.
 
Na linha de orientação deste Governo, que corta sem acautelar os impactos, particularmente entre os mais fracos, a titular do Turismo quer poupar 6 milhões em questões administrativas, nega que vá descarregar os cortes sobre a manutenção de postos de trabalho (veremos no futuro) e não adiantou o que pensa e projecta para a recuperação do sector.
 
Com seis meses no cargo e os dados em cima da mesa, Cecília Meireles, indigitada pelo CDS, chega ao fim de Janeiro sem uma estratégia e planos que a consubstanciem.
 
O que a Secretária de Estado tem de entender é que toda a região do Algarve está em suspenso, precisa de planear uma nova época e os únicos indicadores que dispõe são os desabafos do presidente da AHETA, sobre o previsível descalabro de perdas com o mercado nacional que poderão ultrapassar os 30%.
 
Sobre os mercados estrangeiros, no conhecimento da acumulação dos constrangimentos financeiros dos principais mercados emissores, o que se ouve é a redução da actividade de alguns operadores e que as operações de “incoming” (contratação) estiveram aquém do desejável.
 
A três meses do arranque oficial da época turística e depois de um Inverno dominado pelas sucessivas más notícias no tecido empresarial, com os números conhecidos em falências, despedimentos, salários em atraso e conflitualidade de tesouraria, tributária e judicial, é de todo legítimo questionar a Secretária de Estado sobre o que já fez (?!) para trazer alguma racionalidade, estruturação e confiança aos agentes económicos do sector.
 
Não é de todo incongruente afirmar que vivemos a maior crise de sempre no sector do Turismo e que compete às autoridades em serviço definirem os parâmetros em que esta tem de funcionar.
 
O que é realmente incongruente, é a indefinição que vivemos e a forma como as mudanças de cor política do poder provocam instabilidade nas estruturas que normalmente são vítimas da voracidade pelos cargos, onde os cartões partidários ocupam os lugares que deveriam ser confiados a profissionais experientes do sector e, certamente, obteriam um nível superior de produtividade como seriam responsabilizados pelas suas decisões.
 
Na realidade, nos últimos anos em que a competitividade entre os destinos se agudizou e o Algarve se mostrou incapaz de sair da estagnação, nenhum governante trouxe estabilidade e desenvolvimento ao sector do Turismo.
 
Para o poder é fácil lançar impostos e aumentos de encargos sobre as empresas e os indivíduos, sem cuidar da capacidade que o obriga a criar riqueza.
 
E pela amostra, nem tão cedo alguma coisa vai mudar…


Luis Alexandre
 
  

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Concertação Social" concede mais facilidades nos despedimentos




Ontem foi assinado pelos patrões e a traidora central sindical UGT, várias medidas sobre trabalho forçado, já por nós referido. A forma de facilitar mais os patrões ficou também assente: as empresas poderão despedir um trabalhador por “inadaptação sem que haja modificações no posto de trabalho e desde que haja uma redução continuada da produtividade e da qualidade do trabalho”. Actualmente, o despedimento por inadaptação só se aplica caso haja alterações tecnológicas a que o trabalhador não se adaptou.

Ficam assim enormemente facilitados os despedimentos individuais, que irão também franquear a porta de maior precariedade no trabalho… fica assim provado qual o tipo de “competividade” que este Governo de traidores e serventuários pretende: trabalho barato, pouco qualificado e precaríssimo…vilanagem!


Não existem mais “desculpas” para que a CGTP não avance para uma Greve Geral a sério, porque o tempo urge. Os operários e os trabalhadores têm de demonstrar na rua, nas fábricas e empresas, a sua revolta, a sua indignação, tendo como objectivo o derrube deste governo de vende-pátrias, impondo em seu lugar um governo de Esquerda Democrático Patriótico.

Novo blogue criado em Faro...

FaroActivo - novo blogue de intervenção


Doca de Faro



É com satisfação que anunciamos a entrada na blogoesfera de mais um blogue para intervir sobre o Algarve. 

No momento particularmente difícil que atravessamos, todas as vozes independentes são importantes para alterarmos o rumo das coisas. Ao novo desejamos as maiores felicitações e que façam um bom trabalho em defesa da cidadania.

O seu endereço é: faroactivo.blogspot.com

FORUM ALBUFEIRA

Seguidores estão preocupados... com os tachos...

Foram-se as crónicas... choremos senhor
 
O verdadeiro artista, aguardemos pelas memórias...


Desidério Silva, um dos homens do buraco de mais de 80 milhões nas contas públicas, despediu-se do seu público no passado sábado, quando sentidamente escreveu a sua última coluna no jornal "Correio da Manhã".


Como não podia deixar de ser, na sua magnanimidade e escondendo a lágrima no canto do olho, o espraiar da crónica foi de auto-enaltecimento, pela grande obra de 10 anos de presidente e mais 4 de vereador.


Geriu mais de 900 milhões, criou centenas de empregos laranja na autarquia e outros em empresas de correlegionários, derreteu milhões num pavilhão de luxo para o qual nunca fez estudos de viabilidade, andou de braço dado com a Parque Expo/P"S" no malbaratar de mais 70 milhões na cosmética Polis/Câmara, deixou a merda na praia para os que vierem atrás limparem, enterrou dois milhões num parque de estacionamento fantasma e numa empresa contratada e já falida, deixa o parque arquitectónico da Marina e do Bem-Parece, uma parte do concelho sem água e sem esgotos, deixa o memorando do Parque Verde de Valmangude, mais de 6 mil desempregados e muitas falências, alargou a sazonalidade, desertificou a baixa, fechou os Correios, tem milhões de euros por cobrar de água fornecida aos amigos, praticou as taxas camarárias mais altas do país e de roubo à população e aos empresários e, contudo, deixa a Câmara endividada num montante quase igual a um ano inteiro de receitas. 

É obra!


FORUM ALBUFEIRA


P.S.: no momento do fecho desta nota, ainda não tínhamos conseguido confirmar se Helder Sousa, para agradecer o emprego de secretário da presidência, estaria a organizar uma nova grande festa, ou se a coisa iria apenas decorrer num canto do seu restaurante. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MARCHA DA INDIGNAÇÃO


 
O manifesto…



DESEMPREGO – DÍVIDA – PRECARIEDADE
BASTA!

Iniciamos 2012 mergulhados numa das maiores crises já vividas na história portuguesa e europeia. São mais de 700 mil desempregados no nosso país, e esse número não pára de aumentar. A precariedade laboral devora os nossos sonhos, condenando-nos à miséria e a uma vida sem futuro.

O orçamento aprovado para este ano reproduz de modo ainda mais perverso as exigências da Tróica, com cortes na Saúde, na Educação, eliminação do 13º e 14º salários na Função Pública, aumento do valor das taxas moderadoras, dos preços dos transportes, da electricidade e das rendas das casas. Apesar do grande número de desempregados o governo amplia em meia hora por dia o horário de trabalho, aumentando a exploração e tornando mais difíceis novas contratações.

Não somos nós que estamos a “viver acima das nossas possibilidades”, mas sim os banqueiros, patrões e multimilionários, bem como os políticos que os apoiam. Estes é que são os verdadeiros responsáveis pela crise da dívida pública!

É PRECISO SAIR À RUA E DIZER BASTA!


Apelamos a todas e a todos, desempregados, trabalhadores, imigrantes, precários, reformados, estudantes, todos aqueles e aquelas cujas vidas e sonhos estão a ser destruídos em nome de uma crise pela qual não têm qualquer responsabilidade, a que se juntem e, a 21 de Janeiro, mostremos na rua que exigimos viver em Democracia e que em Democracia o poder é do povo e de mais ninguém!


 
PELO DIREITO AO TRABALHO COM DIREITOS!
CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES DOS SECTORES ESTRATÉGICOS!
SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DA DÍVIDA E AUDITORIA POPULAR!

A DEMOCRACIA SAI À RUA
TRAZ A TUA VOZ!

 

21 de Janeiro – 15H00 – Marquês de Pombal

Crónicas de Vasco Barreto

Hotéis com piscinas de água salgada



A falta de imaginação dos hoteleiros algarvios tem contribuído fortemente para o descalabro da actividade turística nos últimos anos, pese embora a desculpa da crise mundial. 

O Algarve está sempre em crise. Não há Verão sem crise. Qualquer dia será necessário criar uma Secretaria de Estado das crises. 

Visto que o mar é quase sempre agitado durante o Inverno os hotéis à beira mar poderiam estabelecer um protocolo com o Ministério do Ambiente afim de se criar um modelo de sucção para encher as piscinas com água salgada. Os turistas da Escandinávia adoram banhos de água salitrada e poderá ser uma grande aposta para o turismo de Inverno. 

A Secretaria de Estado do Turismo deve encetar um estudo sobre esta questão porque os coitados dos hoteleiros a única coisa que sabem fazer é plantar palmeiras marroquinas.                  


Vasco Barreto

Albufeira.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os ladrões da água



 
A água, um bem estruturante da sociedade e da sua base - as famílias -, pelo seu papel na higiene, salubridade, prevenção e alimentação, entrou na espiral mercantilista do pensamento liberal.
 
A água, que é um elemento do ciclo natural da vida, recebeu também a cobiça dos argumentos que se escondem por trás dessa volúptia de dogma de uma parte das forças da sociedade, que o brande pelo nome de utilizador-pagador.
 
Nas primeiras décadas de poder autárquico, cujos esforços assentaram em servir democraticamente este bem inalienável, o gesto de abrir a torneira representava um ganho civilizacional através do investimento com os nossos impostos.
Com o derrube da ditadura, o país pôde lançar as bases de uma rede de distribuição e saneamento, visto como um esforço colectivo de impactos positivos imediatos no desenvolvimento social, higienização dos costumes e redução de despesas com a Saúde para as famílias e o Estado.
 Com a evolução dos tempos políticos e a pressão dos privados para as mudanças nos modelos de gestão autárquica, a água foi associada aos resíduos e ambos passaram a constituir mais uma forma de financiamento de rentabilidade apreciável, sujeito a novos factores de arbitrariedade sobre os preços para sustentar interesses escuros e estruturas de emprego partidário e parasitário.
 
A prestação destes serviços seguiu vários caminhos nos diferentes municípios, sobretudo nos de maior importância e densidade populacional, dando forma a experiências inéditas com a criação de empresas municipais, intermunicipais (Águas do Algarve)e contratos concursais de exploração por empresas das clientelas.
 
Com estas novas encenações e os seus custos, os preços de um serviço público que deveria respeitar as necessidades das populações e a sua capacidade financeira, passou a depender das negociatas e, no actual contexto de falência quase generalizadas das autarquias, das circunstâncias de tapar o endividamento de médio e longo prazo e os buracos da gestão corrente.
 
No Algarve, onde as Câmaras são co-proprietárias da empresa Águas do Algarve e esta subsidiária da Águas de Portugal, o preço da água e por tabela dos resíduos, não param de subir. Quase todos os anos houve actualizações e agora anunciam outra que, nalguns casos, despudoradamente atinge a casa dos 20%.
O dramatismo das finanças das autarquias, da exclusiva irresponsabilidade dos gestores partidários, que já levaram o presidente da AMAL a denunciar a situação de acumulação de dívidas para com a Águas do Algarve para pagamento de salários, não pode justificar a leviandade como novamente sobrecarregam a população e as empresas…
 
Com a privatização da água no horizonte deste Governo, estes golpes sucessivos nos preços destes serviços e sob a mentira dos custos de produção, visam claramente aumentar o apetite dos privados e, no entretanto, permitem alguma solvência às Câmaras, que praticam preços acima daquilo que pagam à Águas do Algarve. Há Câmaras que põem mais de 30% de percentagem para os seus cofres.
 
Mas nenhum assume a responsabilidade perante os seus munícipes, pelo facto de em pleno século XXI, ainda haver partes dos concelhos sem a satisfação destas necessidades…
 
Ao povo do Algarve resta-lhe lutar contra estes aumentos brutais, manifestando-se por todos os meios e exigindo que estes serviços básicos estejam ao seu serviço, a coberto dos muitos impostos que pagamos.

Luis Alexandre