domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Câmara recebe mas não paga
A imprensa fez hoje eco das contas da empresa “Águas do Algarve” e ficámos a saber que o executivo PSD da Câmara Municipal de Albufeira, anda a desviar os dinheiros cobrados aos consumidores para tapar os buracos da sua gestão despesista.
São quase seis milhões de euros em incumprimento, quando ainda recentemente os munícipes albufeirenses protestaram pelo aumento brutal do preço da água, operado pelo executivo.
Com certeza que as razões da dívida não se sustentam no incumprimento dos cidadãos, apesar das situações dramáticas de muitas famílias e até de empresas, provocadas pelas más políticas nacionais e locais.
A sazonalidade e o elevado desemprego, problemas para os quais o executivo PSD não tem quaisquer medidas de fundo traçadas, limitando-se a pequenos apoios sociais às instituições, nas rendas e no ensino (tendo nesta área específica, sido publicamente acusada por um jovem albufeirense, de exclusão discriminatória), estão a afectar transversalmente milhares de agregados familiares, com muitos deles a dirigirem-se à autarquia em busca de respostas.
Uma autarquia que orçamentou 100 milhões de receitas, não só não criou margens e planos de contingência para apoio às actividades económicas e ao emprego, como lhes agravou muitas taxas e criou outras, retirando-lhes capacidade de funcionamento ou contribuição e aparece em público como a principal devedora de um bem que já cobrou.
As brechas de uma gestão despesista, como os milhões gastos em derrapagem num pavilhão luxuoso para a dimensão do concelho ou no buraco que deveria ser um parque de estacionamento, entre outros casos, como os custos dos lixos, tarde ou cedo teriam de vir às claras e não vão ficar por aqui.
Com os problemas de tesouraria que se confirmam, muitas das velhas promessas eleitorais e o rol das novas, como a requalificação das Areias/Oura, a Rua do MFA e os estacionamentos, vão pelo cano abaixo ou lançadas em cima do próximo acto eleitoral, onde o PSD joga o fim de ciclo do desiderismo despesista.
FORUM ALBUFEIRA
quinta-feira, 24 de março de 2011
Pelo menos 100 manifestantes foram mortos pela polícia na quarta-feira em Deraa, cidade do sul da Síria palco de manifestações sem precedentes contra o regime, manifestantes que gritavam palavras de ordem pela liberdade social e política e contra a corrupção generalizada na sociedade, a libertação dos presos políticos e o fim da PIDE local.
Crónicas de Vasco Barreto
FORUM ALBUFEIRA
Inverter a fórmula
O parlamento e a sua composição não conseguiram chutar Sócrates. Este saiu pelo seu pedido de demissão. Ao quarto famigerado PEC, todos se puseram de acordo. Só este é que ultrapassava os limites… usando como argumentação, cada um há sua maneira, o sofrimento da população.
Cavaco Silva, encavacado na sua magistratura activa, engoliu as distâncias do primeiro-ministro e do seu correlegionário de partido. Vai reencarnar o seu papel de estátua, debaixo de um coro de críticas de passividade e assinar o papel que a Constituição lhe impõe.
Pelas declarações após a consumação do acto, todos os partidos estão felizes pela realização de eleições. Para eles o povo e o voto é que têm de decidir quem vai aplicar as medidas repressivas de que o país precisa. Produziram a situação que vivemos, lançam os custos sobre a população, não são capazes de resolver o que criaram e ainda se preparam para nos arrastar na decisão de se alternarem no poder.
Os partidos da direita tradicional exultam com o momento que prepararam de forma cautelosa, prescindindo da intervenção do presidente, Sócrates e o seu Governo montaram o PEC IV de forma a precipitar-lhes as intenções e a suposta esquerda, ainda andava a congeminar moções de censura.
Uma manobra política do dito partido socialista, ponderada e sufragada “ingenuamente pelas instâncias europeias”, deu uma forma de escape a José Sócrates, que com a demissão na mão, diz bem alto que contem com ele.
O PCP e o BE, apenas por linguagens diferentes, dizem que a política de direita está esgotada. Quando mais de 300 mil pessoas saíram à rua e 3 milhões fizeram uma massiva greve geral, não lhes foi apontado o caminho de exigirem o derrube deste Governo e a exigência de um verdadeiro Governo Democrático, com um programa virado para a independência nacional, a recuperação da nossa economia e a rejeição da dívida que o capital contraiu.
Na Islândia, um pequeno país levado à bancarrota, tem uma nova linha dirigente que já anunciou a rejeição da dívida a alguns bancos e países. E fazem-no porquê? Porque constataram a forma fraudulenta como a economia do país foi conduzida para servir interesses externos!
Os partidos em Portugal, que andam à volta do pagamento da dívida, à entrada desta sua nova crise de relacionamento continuam peremptórios, por afirmação (os da direita), ou por omissão e vergonha (os ditos de esquerda), que o país tem de encontrar as melhores fórmulas de pagar o que deve!
Com os três PEC às costas e mais um Orçamento recessivo, o país fica pendurado à espera de mais uma sessão eleitoral de folclore político da burguesia, para se decidir se sai um congeminador desta política para entrar o seu parceiro. Será difícil descobrir que não há diferenças de fundo?
O país está de novo a ser empurrado para uma ilusão como se tivessem outro objectivo que não seja salvar o sistema caduco e explorador que lhes permite os gozos da alçada do Estado.
Os trabalhadores portugueses têm de aprender as lições e não abdicarem de um programa político que sirva os seus interesses!
Luis Alexandre
quarta-feira, 23 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Política rasca
Apesar de nos terem enrascado, o povo não se sente rasca. Rasca é esta democracia parlamentar burguesa que, sustentada em promessas em dezenas de actos eleitorais, nos conduziu a nova bancarrota.
Percebemos para onde nos empurraram mas nem todos percebemos a gravidade da situação. Para os partidos da ordem instituída, a desordem que causaram nas finanças públicas e a incapacidade do sistema económico em dar respostas, continua a ser motivo de segredos e cozinhados. Os políticos ensaiam estratégias para a saída do enredo e o povo vive amargurado no peso da factura e no próximo papel de lhes renovar os votos.
O Governo vai e vem com os recados para os patrões europeus, anda nisto há mais de um ano e agora o PSD, depois dos seus apoios expressos com pedidos de desculpas à mistura e com a retoma de Cavaco, diz que não vai deixar o “país no pântano”. Quer esclarecer quem vai continuar com o poder de fazer e aplicar os novos PEC.
Como a diluição das responsabilidades passadas parece controlada, o poder compensa e o papel do FMI, da UE ou do BCE não os afecta, o que interessa é fazer passar os sacrifícios pedidos como única medida de “salvar o país”.
Uma nova farsa de eleições estará na calha, o que contraria o discurso de posse de Cavaco Silva, que é conhecedor da realidade e da necessidade de mais medidas repressivas e preferia ver este Governo levar mais longe o seu papel de desgaste, no fundo aplicando uma visão estratégica contrária à pressa da nova legião do PSD.
A corrida de Passos Coelho, que já disse ver no FMI uma solução, assume-se como uma oportunidade de capela. A provocação de eleições serve os interesses que o alimentam no imediato, numa tentativa de demarcação da égide de Cavaco e deixando dúvidas entre a velha massa dirigista e a de suporte, sobre a capacidade e resultados futuros.
Sócrates, sem mais coberturas parlamentares, o desprezo da maioria do país e na paz podre do seu partido, ainda vê bolhas de ar para respirar politicamente. Ainda não está claro que a sua demissão, que entre os indefectíveis é um fôlego, tenha terminado a sua longa caminhada quixotista contra os deficits da República.
O PCP está contra o Governo que acusa de práticas de direita e a central sindical que controla diz aos trabalhadores explorados que não vê alternativas!
O BE, que recentemente viu a sua moção de censura ir parar ao lixo, está na crise como a “esquerda de confiança”, que critica as cedências às políticas de direita do PSD como se não fosse o PS e o seu Governo quem as propôs.
Num cenário destes, compreendem-se as abstenções eleitorais e os protestos da geração à rasca e das que se lhe juntaram. E estarão longe de parar!
Os políticos e o seu quadro parlamentar querem manter o poder e a iniciativa e, do outro lado, estão as aspirações esmagadas da população. Sob a capa da crise, são os interesses capitalistas que se reforçam sobre o trabalho e segundo estudos, actualmente a relação rendimentos do capital/trabalho cifra-se em 65 contra 35%, quando no marcelismo estava nos 55/45%. É para pensar!
A poeira política volta a estar no ar. Para enganar a multidão. Até os homens da ciência e da cultura, com uma visão diferente sobre os caminhos para a mudança, têm receios de darem passos. O povo e a sua linha avançada, têm de tomar a liderança!
Luis Alexandre





