quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O paraíso da ladroagem


Para que a actividade criminosa continue, só faz falta que as empresas assaltadas reponham os stocks e os cidadãos transportem bens ou continuem as suas actividades normais, supondo que as autoridades se organizam e têm meios para as defender.

O assalto à Garrafeira Soares que se repetiu e repetirá no actual quadro da situação policial, é um exemplo do que vimos a denunciar há anos, da completa ausência de meios de defesa da baixa, não só pela inexistência de policiamento de proximidade durante a noite, quer pelo (des)ordenamento da área, onde os únicos meios de mobilidade policial nocturna estão dificultados e cingem-se a uma passagem automóvel por noite e se a houver.

Albufeira, como é a primeira a arrancar e a última cidade turística a parar, é um alvo preferencial e bem estudado por parte da acção criminosa organizada. Todas as suas vulnerabilidades estão devidamente assinaladas e são conhecidas por polícias e ladrões, bem como do executivo autárquico, que diz colocar o assunto em Lisboa e não é ouvido.

Com a degradação acelerada da situação social do país, da região e do concelho e o facto dos meliantes não fazerem cortes no orçamento, é de prever que os problemas não parem de crescer, faltando apenas as situações extremas em que ocorram derramamento de sangue ou óbitos.

A única acção conhecida contra o aumento da criminalidade foi a bem divulgada escola de defesa pessoal organizada pela Câmara e GNR, com o apadrinhamento da ACRAL, para ensinar os comerciantes a lidarem com o facto consumado e ganharem o estatuto de heróis, o que, convenhamos, é ridículo, porque não está acompanhada do reforço das medidas policiais necessárias a um bom policiamento e há muito reclamadas.

Com o andar da carruagem, ou seja as orelhas moucas dos vários poderes, os comerciantes e cidadãos vão continuar por sua conta e restam-lhe os ensinamentos paliativos…

Quanto à dorminhoca oposição do concelho ( PS e BE para falarmos dos que têm assento num órgão municipal), não estão interessados em acordar…

FORUM ALBUFEIRA

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mais golpes nos negócios da baixa da cidade



O executivo camarário, sem que para o caso em questão se percebam as razões da sua decisão, aumentou o valor da factura de isenção de duas horas, para dez euros, no parque P2 da Av. 25 de Abril.

Num parque está vazio de Inverno, incompreensivelmente, esta mudança iniciada em 1 de Dezembro, contrasta com a sensatez inúmeras vezes solicitada pelos empresários, de que para combater a desertificação da baixa, fazia todo o sentido o livre-trânsito entre as 10 e as 22 horas dos meses de Novembro a Março.

Este executivo, que não cumpriu nenhuma das suas promessas sobre parques de estacionamento e os que estão feitos foram alvo de sucessivos atropelos da sua responsabilidade, estando o da Av. da Liberdade debaixo de mentiras, despesismo e ao abandono.

Depois deste texto elaborado com a clara intenção de mostrar o nosso profundo desacordo com a política de desprezo pelas dificuldades que atravessam os empresários da baixa, que não só têm de pagar caro os parques, viram fechar ruas e lugares de estacionamento, viram fugir os clientes nos meses de Outuno/Inverno e um número considerável de empresas que movimentavam a área, ficámos a saber hoje, na sessão pública de Câmara, que tal medida teve a bênção da ACRAL (?!?!).

Esta associação, que apoia a prevaricação do incumprimento da lei do ruído, gozando os seus dirigentes com os populares que se manifestaram noutra sessão passada, aparecem agora por trás de mais uma medida que contraria os interesses dos empresários e da população.

A afirmação desta consulta e aval foi anunciada pelo presidente da edilidade, quando questionado pela proposta da ACOSAL, para a aplicação do horário transcrito atrás.

Tirem os cidadãos as suas conclusões sobre como são tratados os problemas neste concelho.

FORUM ALBUFEIRA


P.S.: Este compadrio entre executivo e ACRAL, que já vem de trás, quando os mandantes eram o sr. Vitor e o sr. Xufre, com a ascensão do segundo, nada mudou como continua a ser necessário pagar os subsídios anuais de mais 70.000 euros e que os munícipes desconhecem onde são aplicados.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A decadência do desiderismo



Mais do que cerco, é a decadência do desiderismo populista que se configura.

O trambolhão político de Desidério Silva e da sua corte no executivo, ao não verem aprovadas as suas propostas na assembleia municipal, onde o seu próprio partido “se revoltou” com a não aprovação, tem várias leituras políticas e consequências futuras.

Por unanimidade, logo com os 5 membros do PS e o do BE em concordância, foram rejeitados os aumentos das percentagens do IMI, IMT e IRS.

O FORUM ALBUFEIRA, havia já alertado para a estratégia montada no seio da AMAL, denunciando a concertação ali fabricada pelos presidentes das Câmaras das duas cores políticas, PSD e PS, com raras excepções, para lançarem um PEC regional, traduzido num aumento generalizado das taxas sob a sua jurisdição e daqueles impostos nacionais onde as autarquias têm uma percentagem com fixação da sua responsabilidade e proveito.

Numa altura de crise profunda, o episódio vivido na assembleia municipal de Albufeira, insere-se na contradição entre a voracidade do executivo - argumentando mais tarde e depois de acossado publicamente, que as receitas seriam para “acção social”-, e o sentimento generalizado de protesto entre a população e empresariado, de que os seus membros fizeram eco no chumbo.

O PEC de Desidério Silva e do seu executivo sobre estes impostos falhou mas, já havia concretizado o seu primeiro pacote, de forma discreta, com a total conivência da família PSD.

Com a oposição no seu papel apagado, ensombrada pela política nacional e porque não existe sob qualquer outra forma no concelho, a rejeição era a sua única saída de face.

A dessintonia entre executivo e membros do PSD na assembleia, tem o significado político de desarrumação da casa, a que não será estranho a presidência da concelhia estar nas mãos de Carlos Silva e Sousa, a sua pretensão a candidato à presidência do executivo, o fim de ciclo do desiderismo e a intenção de dar um sinal para o exterior de demarcação sobre o lídr que influenciou num papel de destaque, senão o principal, ainda que na rectaguarda da presidência da assembleia municipal.

Tudo o que o desiderismo planeou até esta puxada de tapete, foi na mais completa harmonia entre órgãos e com uma oposição interna (do PSD) muito ténue, o que não augura mudança de políticas e do estilo autoritário que nos presidiu até agora.

A derrota das propostas do executivo, negada na imprensa como não corresponderem a divergências e muito menos a clivagens, é, à evidência, um dos seguintes passos do isolamento estratégico no seio das fileiras, para abrir a porta à sucessão de Carlos Silva e Sousa, que procurará fazer crer não estar ligado aos anátemas do seu velho companheiro, que com o seu estilo populista não deixou de contabilizar para o PSD o apoio que o novo candidato vai precisar.

Desidério Silva está na calha para as medalhas ou nome de rua, porque não chega para as estátuas…

FORUM ALBUFEIRA

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A22, a estrada pariu um rato?


Estará a A22 armadilhada pelos pórticos e pelos estados de alma dos políticos?

A contratualização dos pórticos e as queixas de não serem ouvidos pelo Governo, levou os (in)suspeitos presidentes de Câmara, repartidos pelas cores políticas laranja e rosa, capitaneados por Macário Correia, presidente da AMAL, a inflectirem as suas posições de princípio (?!) no apoio, para a surpresa radical de incitar a população ao não pagamento de portagens.

Mais uma desconsideração entre muitas, praticada pelo Governo que sabe que noutras ocasiões e matérias e com outros Governos, os mesmos nem se quiseram fazer ouvir, levou a entornar o caldo, faltando avaliar se esta é uma posição ponderada nas estruturas distritais dos respectivos partidos, o que é pouco crível, e qual o grau de envolvência.

Mendes Bota deixou a pasta em silêncio sobre os desenvolvimentos do processo, o seu sucessor eleito tem rabeado sobre assuntos colaterais e nunca se exprimiu com clareza sobre este, que domina a actualidade política na região e, Miguel Freitas, o último moicano socratista que cairá na região, tem uma opinião vincada de obediência às decisões do Governo.

Numa evolução natural e em acompanhamento do processo negocial de envolvência de PS e PSD sobre os PEC e o OE para 2011, onde está contida a combinação sobre as portagens, os autarcas que compõem a AMAL foram produzindo declarações e alinhamentos desfocados mas que tinham uma direcção final, a aceitação das portagens. Em Olhão regozijava-se pelas descriminações e em Albufeira e Portimão insistia-se no sim condicional, com a AMAL sem uma opinião oficial e objectiva.

Nada faria prever a decisão avançada pela AMAL, quando as convicções dispersas aceitavam as portagens e a troco do investimento na EN125, fechando os olhos à verdade indesmentível de que qualquer requalificação não tirará o estatuto consolidado de se manter como uma rua da morte.

Uma verdade qualificada, é que esta decisão sabe do volume de descontentamento instalado na população e da sua transversalidade nas linhas partidárias, o que no futuro trará consequências de credibilidade política dos envolvidos.

Outra verdade experiencial é a pouca expressão de implantação de uma comissão de utentes com a gestão pouco táctica de individualidades com o tal GPS oferecido pelo BE, cujas duas acções práticas têm tido mais impacto na imprensa e televisão do que em mobilização do elevado descontentamento.

Na realidade, o que era tomado por uma eventual resignação da população por falta de direcção credível, com este acto da AMAL, que de todo não se definiu nem adiantou medidas organizativas de aplicação prática, tornou-se num botão incendiário do descontentamento e de comprometimento dos autarcas com uma decisão que colide com as forças centrais partidárias e a decisão governamental, que estarão apreensivas com as formas de evolução do que eram favas contadas.

A situação criada gerou um volume de responsabilidades que, se o propósito de empenho com uma programação de acção não for para a vitória final - a revogação das portagens -, a armadilha rebentará nas mãos dos que se afirmaram dirigentes.

Luis Alexandre

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Mais uma manobra deste executivo...

Albufeira: PIN Alfamar avança com ocupação de zona de proteção de recursos naturais e litoral
02-12-2010 7:16:00


Solos agrícolas, área de Reserva Ecológica Nacional e no litoral área de domínio público marítimo vão ser abrangidos pelo projeto PIN Alfamar. Execução do Plano de Pormenor contratualizada com promotor.
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Ver Galeria 2

O Plano de Pormenor do Alfamar e envolvente, que abarca 31 hectares, desde a praia da Falésia até à zona agrícola de Vale Carros (ver mapa) foi alvo de aprovação pela autarquia da minuta de contrato com a empresa LTI –Alfamar Beach Resort, para a sua execução pelo próprio promotor.

O Plano de Pormenor é um dos requisitos do estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN) e, de acordo com os documentos que se encontram em fase de consulta pública, inclui zonas de enquadramento rural da Reserva Agrícola Nacional (RAN), Áreas de Reserva e Proteção de Solos e Espécies Vegetais da Reserva Ecológica Nacional (REN).

Será ainda parcialmente abrangida área de Domínio Público Hídrico, consignada no Plano de Ordenamento da Orla Costeira(POOC) Burgau – Vilamoura. Esta última área diz respeito à praia da Falésia, cujas arribas colapsaram, causando um trágico acidente que causou a morte a quatro pessoas.

O Plano de Pormenor vai transformar todas estas zonas em espaço para uso turístico e deverá estar concluído no prazo de um ano.

O presidente da câmara de Albufeira, Desidério Silva disse ao Observatório do Algarve que o plano se encontra “totalmente integrado no Plano Diretor de Albufeira” e também se enquadra no “Estudo das Potencialidades de Desenvolvimento Sustentável de Albufeira Nascente”, ainda em fase inicial de elaboração, depois do executivo camarário ter aprovado os seus objetivos, em 3 de Agosto de 2010.

Vão assim sobrepor-se dois instrumentos de ordenamento do território na mesma localização, situação que foi contestada pela vereadora socialista Francelina Lourenço, que se absteve na votação no executivo camarário, questionando a oportunidade de se “a contratualizar já um Plano de Pormenor”.

Para a autarca socialista (na oposição) o plano de pormenor deveria seguir a estratégia resultante do Estudo das Potencialidades de Desenvolvimento Sustentável de Albufeira Nascente.

“Parece-nos haver, nestas matérias, alguma falta de estratégia ou, eventualmente, outras razões que desconhecemos”, salienta a única representante do PS na vereação que reivindica ainda “a Revisão do Plano Director Municipal, em vez de se aprovarem planos parciais, de pormenor ou de urbanização”.

“O planeamento de Albufeira deveria ser ponderado e estruturado de forma integrada e sustentável e não de forma dispersa e fragmentada,”alega.

Demolição parcial do Hotel Alfamar

Para Desidério Silva esta é, porém, “uma oportunidade de requalificar a zona”, onde existe “muita edificação dispersa” avançando ainda que “a marca internacional interessada vai demolir parcialmente o hotel Alfamar”, recusando-se no entanto a confirmar qual o grupo de investidores interessado.

Ao que o Observatório do Algarve apurou, o grupo Ritz – Carlton Hotels & Resorts desenvolveu, através da consultora ILM, a análise de mercado, viabilidade económica e financeira e também a análise de mercado para um resort de luxo.

Oficialmente, o estatuto PIN foi concedido à empresa Sociedade LTI – Alfamar Hotel, SA, cujo presidente da administração é Johannes Althap, residente na Alemanha.

Curiosamente, nos documentos em consulta pública a página relativa ao ofício da atribuição do Estatuto PIN171- Alfamar Beach Resort encontra-se em branco.

A Comissão de Avaliação e Acompanhamento dos Projetos PIN refere no seu último relatório de 4 de novembro que o PIN Alfamar é um dos quatro projetos no Algarve em fase de acompanhamento, com um investimento de 240 milhões de euros e a previsão de criação de 200 postos de trabalho.

O acompanhamento dos projetos reconhecidos como PIN “visa assegurar a celeridade dos procedimentos necessários à sua viabilização, a superação dos bloqueios administrativos por forma a garantir uma resposta célere”, mas não dispensa o integral cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis, não sendo constitutivo de direitos, lembra a AICEP Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E.,que coordena a comissão.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As voltas da política



Um objecto em volta de...a política em volta de...


Com o orçamento aprovado de fresco na congregação de esforços do Governo PS e o PSD de Passos Coelho, sob a bênção de Cavaco Silva e a insatisfação de inutilidade dos restantes partidos, os cenários da sociedade portuguesa não sofreram grandes alterações, exceptuando o engrossar da revolta popular.

Funciona um Governo vazio de ideias sobre um país falido e à mercê dos especuladores financeiros e das ordens da Alemanha e França, com o partido que o sustenta em profunda convulsão interna, entre o apego de Sócrates, os tons do desalinhamento do movimento crítico, a confusão estratégica e a fabricação do seu sucessor.

De mau Governo e más políticas, sem qualquer base social de apoio e preso pelo calendário constitucional, tudo só poderá piorar, não importando a lavagem da remodelação, porque nada nem ninguém amenizará a sua agonia até ao despedimento.

Do lado do PSD, temos uma plateia sequiosa de poder capitaneada por um chefe igualmente ansioso que, com os olhos postos no relógio político faz afirmações reveladoras: “de que contribuímos para melhorar este Orçamento” ou que, “estamos preparados para sermos Governo em colaboração com o FMI”, mostrando à saciedade que todos sabem mais do que contam à população.

O PSD, que continua a ser a alternativa dos nossos credores e depois do seu papel ao longo de anos ao lado do PS na criação da dívida, a qual é absolutamente consentida e alimentada como força de subjugação para ser usada quando necessário, o que está a acontecer, quando a inexperiência da liderança hesitou na viabilização das exigências da ordem de pagamento, rápido se recompôs na obediência para resgatar o caminho do poder.

O PSD, cujo líder corporiza a impreparação na condução política e se dispõe a ser poder com a cortina e sob as ordens do FMI, que lhe permite supor lavar as feridas da responsabilidade da crise e das medidas protagonizadas, vive para as sondagens e a alimentação da voragem das fileiras, em completo e natural desprezo de classe sobre o sofrimento que a sua cumplicidade está a causar sobre o povo português.

Com a intenção objectiva do poder capitalista que nos aprisionou na dívida a usar a chantagem dos juros como forma de entorpecer a sociedade portuguesa e “convencer” o Governo a liberalizar os despedimentos, ficam esclarecidos os esforços de que o Orçamento aprovado não era o único interesse final.

Quando a Greve Geral saiu à rua, num movimento de grande envolvimento da população activa, à qual deve ser associada a força dos desempregados, o movimento estudantil, os reformados e outros sectores da sociedade, os seus dirigentes e organizadores sabiam destes pressupostos da luta intestina e que constitui uma exigência dos credores para “salvarem a nossa situação financeira” e não a nossa economia, sobre a qual não lhes interessa emitir qualquer juízo de intenção.

O profundo descontentamento latente na população vive momentos difíceis e não veio para a rua porque não tem uma direcção forte e na qual confie, que dê uma expressão justa às suas aspirações.

No parlamento, os chamados partidos de esquerda, que se misturaram na rua e se arvoram de inspiradores, limitaram-se a citações da força de protesto e que esta exigia mudanças de políticas, recebendo a indiferença do Governo e do respectivo partido de suporte, que reafirmaram não ceder e dos outros partidos do arco, dos quais ouviram naturais elogios dirigidos às centrais sindicais e concretamente ao PCP, de grande capacidade cívica e espírito de ordem.

Uma verdade inegável no país, é que o descontentamento abrange a maior parte da população e não apenas os 3 milhões de grevistas, que percebem a desordem institucional montada e o atropelo das filosofias programáticas dos partidos, que são saco roto e comprovadamente contra os seus interesses.

Os portugueses estão a abrir os olhos!

Luis Alexandre