quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Albufeira, capital laranja por um dia


O líder do PSD, Passos Coelho, vem ao Algarve em preparação da previsível pré-campanha eleitoral para as legislativas antecipadas do próximo ano.

Segundo a imprensa, vai ser recebido na autarquia laranja de Albufeira, reúne-se com a direcção laranja da AHETA, almoça com presidentes e vereadores eleitos do PSD e reúne-se a seguir com IPSS que, naturalmente, serão as de influência laranja. Tudo em família.

A imprensa fez eco da agenda da visita mas, revelou-se desconhecedora dos motivos. E sendo uma visita partidária, porque razão, um dirigente partidário, em visita das hostes e sem motivos públicos, é recebido no espaço público autárquico de Albufeira e não na sede do respectivo partido?

Toda esta encenação, com um toque de requinte de utilização de um espaço oficial, sustentado na conhecida incondicional vassalagem do presidente Desidério Silva para com a actual direcção do PSD e na sua alcançada maioria absoluta eleitoral, não tem qualquer razão de aceitação por parte dos munícipes do concelho e deveria merecer o protesto das outras forças políticas.

A escolha de Albufeira, onde o PSD alimenta a ideia de dominação pelos resultados acumulados sobre uma oposição moribunda, não obedece só a razões logísticas mas à enorme disponibilidade com que o presidente da Câmara governa e dispõe da vida pública como se de uma coutada se tratasse.

A actual direcção nacional do PSD, de cariz populista e efervescente na oportunidade que julga estar aberta para assumir o poder central, não olha a meios e aproveita-se destas janelas de visibilidade para levar por diante a sua estratégia de conquistar espaço na região algarvia.

A escolha do Município de Albufeira, entre uma maioria no Algarve sob a tutela do PSD, também terá a ver, por um lado, pelos bons serviços prestados ao partido que alimentam a ambição do presidente na escolha para deputado e, por outro, ao acumular de críticas à gestão de Desidério Silva, inclusivamente vindas de dentro do próprio partido, com a rejeição das suas propostas em assembleia municipal sobre a tentativa de aumento de impostos, que colocava a necessidade de um apoio público de agradecimento explícito e tentativa de restauração de imagem.

Desde a sua eleição para a presidência do partido, Passos Coelho e as suas diversas equipas de trabalho, na sofreguidão de poder, viram na involuntária obrigatoriedade de apoio às políticas do Governo uma plataforma para jogar a seu favor na opinião pública e, nesse sentido, esta visita ao Algarve, não pode deixar de usar todos os meios de contribuição para a prossecução dos fins.

Os resultados ficam por contabilizar.

FORUM ALBUFEIRA

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Prenda de Natal aos madeirenses

Poesia



Um profeta balofo em vias de extinção



Sobre o euromilhões saído na Madeira

Saiu-se Alberto João... com esta asneira:

"Deus repôs o que os socialistas roubaram

na Zona Franca". Fim de citação.


Que pensará este Alberto João... de Deus?

Que o Senhor faz reposições à Zé do Telhado

Tirando aos ricos para dar aos pobres?... Coitado!

De tal dislate riem-se os ateus

E até os crentes ficam descontentes

Pois... evocar o nome de Deus em vão

Não é sério... mas próprio de aldrabão!





José Armando Simões

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A lamechice


A crónica deste sábado no “CM” do presidente Desidério Silva, é um verdadeiro dilúvio de cansaço e descrença sobre o rasto de uma governação que durante tempo de mais teve duas leituras fora e dentro do concelho.

Fora propagandeava-se obra sem interpretação dos avultados meios disponíveis à custa de aumentos substanciais das taxas locais e, dentro, criticava-se em meios independentes e fora da passividade dos partidos, o despesismo e a má orientação dos dinheiros públicos.

Enquanto o dinheiro jorrou a rodos foi o fartar de vilanagem na distribuição benemérita para construir uma base de apoio eleitoral em subsídios, em entrega de obras sem concurso a um lote reservado de empresas amigas e as que tinham concurso funcionaram uma parte considerável em incumprimento de tempos de execução e derrapagem dos valores base contratualizados.

E toda esta actuação na presença humilhada dos elementos de um PS que queriam não perder o contacto com os negócios e situações de mercado que traziam dos tempos em que foram poder.

Desidério Silva mandou e cortou como quis e, não perdendo o sentido de responsabilidade na análise, teve à sua disposição um volume total de orçamentos superior a 600 milhões de euros sem que a tal obra reflicta tal montante.

Durante a sua governação preocupou-se em levar o seu populismo às últimas consequências, criando um corpo administrativo pesado em número e custos, absorvendo mais de um quarto dos orçamentos, o que somado às benesses distribuídas sem controlo conhecido ou fiscalizado pela insolvente oposição, lhe permitiram criar uma imagem de homem realizador sem contestação.

A mentira funcionou mas está a murchar e o peso dos resultados e novas propostas de governação, para além da contestação persistente de um pequeno sector esclarecido da opinião pública do concelho, começam a ser postos em causa pelas próprias fileiras da cor política.

Desidério Silva vive momentos impensáveis à porta da oferta e suposição de mérito extraordinário para a promoção à condição de deputado e, do ponto de vista do controlo político local, a liderança está noutras mãos que lhe criaram a situação de rejeição da sua proposta de aumentos de impostos e lhe retiram o poder de preparar por sua vontade a sucessão antes do fim do mandato por imperativo ou não de eleições legislativas antecipadas.

Na sua curta crónica deste sábado termina com este amargo de boca, descarregando o peso da responsabilidade adquirida na governação contestada e escondendo-se sobre a lamentação generalizada dos autarcas serem uns incompreendidos.

Desidério Silva é vítima de si próprio e das políticas que aplicou dentro da estratégia do PSD e não tem de se queixar.

O recente episódio sobre a organização do fim de ano é um sintoma de desorientação que há uns meses atrás se julgaria impensável.

FORUM ALBUFEIRA

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Presidenciais: o desperdício


Cavaco Silva, que na qualidade de primeiro-ministro raramente tinha dúvidas, entrou em cena para a recandidatura presidencial quando quis e as certezas estavam consolidadas.

Os outros candidatos perfilaram-se cedo e mostraram-se atávicos por falta de “inimigo”. Aparentemente, Cavaco deixou-os órfãos de matéria e estes resmungaram a impotência. Na hora da declaração, limitaram-se a abrir alas.

Foi um Cavaco triunfal que se apresentou ao país, com uma mensagem de homem providencial e figura incontornável do futuro do regime, que ele presidiu até à conjuntura actual.

Cavaco presidente, no papel de recandidato, omitiu as falhas graves de percurso e refugiou-se no auto elogio. A sua convivência com S. Bento, com o Governo, com a Madeira, os microfones e a bancarrota, não lhe beliscam a consciência. Conhece e joga nas vantagens que o impõem sobre os outros remendeiros.

Numa corrida completamente desigual, mesmo com partes da direita que o apoia conformada, Cavaco Silva, o tecnocrata forçado a político, não foi capaz de produzir qualquer conteúdo ideológico para o país no sentido da recuperação da sua base produtiva e da independência nacional.

O presidente-candidato, reafirmou o uso do cargo ao lado do capitalismo internacional, afirmou-se o mais competente para o efeito e não questionou as razões e quem enterrou o país, por ser também causa própria, manifestando a sua disponibilidade política para fazer o povo português cumprir as obrigações contraídas pelo desgoverno de mais de três décadas.

Com o presidente a viver novos momentos de sonho e com a crise e a confusão instalada a favorecerem a sua autoridade arbitral, os opositores mexem-se com respeito, porque a sua visão para as soluções dos problemas do país, não diferem nas questões de fundo.

Todos são candidatos dos PEC e dos Orçamentos que têm de prestar contas… aos exploradores estrangeiros e a uma minoria de nacionais. Os Orçamentos passados foram de mãos largas para o regabofe da política e da economia com base nas importações e no aumento da factura pública, com a particularidade de o de 2009, já com o espectro da bancarrota bem definido e contabilizado, ter sido para cobrir e avalizar os buracos financeiros da Banca mais os do sector empresarial do Estado, que redundaram no deficit actual que querem, como sempre, seja o povo a pagar.

Por isso não admira o apagamento das eleições presidenciais e o pouco empenho dos corredores, quando o eixo das atenções é o OE 2011 e a sua aplicação. Todos estão com o Orçamento, porque sem este papel de compromisso de pagarem aos credores com o dinheiro roubado ao suor do povo, não há crédito para as contas de um Estado gordo e anafado, com toda a sua corte de vagabundos.

As presidenciais de 2011 são um desperdício e um passo para a consagração de um dos expoentes nacionais do despesismo, da conflitualidade estéril, do encobrimento, da perda da independência nacional e da obediência aos caudilhos estrangeiros.

Do remendeiro Manuel Alegre, no desassossego das suas contradições burguesas de vassalagem, figura poética do êxtase político que nos trouxe ao actual quadro nacional, apoiado pelos aprendizes de remendeiros do BE e as alas displicentes do PS, esteve fora do turbilhão que vai ser servido ao povo e estará fora da luta sem tréguas que este, eventualmente, venha a desenhar.

Cavaco Silva reeleito - o homem frio e calculista que satisfaz as ordens externas -, é uma imposição da conjuntura (Sócrates e Passos Coelho tiveram de se agachar) para fazer a Nação ajoelhar na prestação de contas, como nas tarefas de repressão que a luta social venha a exigir.

Luis Alexandre

Faro, 10 de Novembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A encomenda


Com o país adiado e livre da governação autónoma de Sócrates e do PS, partilhada pelos apoios cirúrgicos do PSD, seguimos em piloto automático sob as ordens e imposições dos credores. Primeiro-ministro e governantes só têm de comparecer nas reuniões a que são chamados, atenderem o telefone e seguirem o guião.

Na última dessas reuniões, José Sócrates recebeu uma encomenda europeia em troca de aliviar o banquete da chantagem sobre aquilo a que os credores e os seus servidores locais chamam de dívida soberana.

A pressão nas percentagens dos juros foram, durante semanas, acompanhadas dos conselhos dos nossos credores, que continuam a acreditar no nosso país como um recanto recomendável para bons negócios e bons lucros, servido de uma classe política obediente e que não rejeita a anulação.

A encomenda solicitada é muito simples e impõe-se numa determinada objectiva porque, depois da estabilizada livre circulação e benesses tributárias dos capitais sem compromissos de fixação e contribuição para o desenvolvimento local, a exigência da liberalização dos despedimentos e novas dilatações nos subsídios ou alívio de custos sob os mais variados pretextos onde se abusa da cortina da estabilidade e crescimento, é o fecho de círculo.

As medidas despachadas pelo Governo na véspera de um Conselho Europeu de prestação de contas, cujo timing de apresentação é por si revelador da intenção de golpear a opinião pública, voltam a incidir sobre os trabalhadores, satisfazendo as exigências externas e os seus prolongamentos nacionais, de dar passos na liberalização dos despedimentos e pondo estes e o Estado a suportarem os custos e a facilitarem o lay-off, com diminuição da remuneração dos trabalhadores, entre outras como, a satisfação das exigências dos senhorios sobre despejos, que não condenamos em abstracto, depois de muitos anos sem punição sobre a degradação, que agora se pretende apoiar em isenções e nos fundos do QREN.

Para a criação de emprego, necessariamente cada vez mais precário, é preciso satisfazer a bocarra dependente e pressionante do capital, que sobre os lucros e cumprimento das responsabilidades sociais continua a viver na impunidade e com as portas escancaradas de saída para os paraísos fiscais, onde se juntam para formar as correntes de especuladores, sob o nome de investidores, de que se queixam os governantes.

O Conselho Europeu destes dias, decorre sob a desconfiança, com os dois principais beneficiários da criação da UE a marcarem uma posição de intransigência que virou solidariedade, não vão os seus interesses espalhados sofrerem revezes não contabilizados e gerarem situações de instabilidade que passe as suas fronteiras.

O fumo branco da defesa do euro e das economias mais deficitárias parece ser um adiamento até novas estratégias, colocando-se o BCE na dianteira da prevenção com um aumento substancial das suas reservas.

A Europa unida para o crescimento e desenvolvimento sustentado dos seus parceiros descambou nas assimetrias conhecidas, com aqueles que mais se apropriaram da riqueza a ditar as ordens até nos interesses da imagem de condescendência vigiada.

Não querendo admitir em público, os governantes dos países da UE, estão conscientes das profundas assimetrias geradas na economia e finanças dos seus membros, que não passam despercebidas das opiniões públicas.

Os europeístas portugueses, tipo Mário Soares, que negociou e assinou a boa nova, ou mesmo Cavaco Silva, que governou e regalou sentado sobre os baús enviados e os outros que continuaram deslumbrados com a teta da vaca, vêem-se a braços com os seus vaticínios furados, porque da receita da confiança são forçados a reconhecer as dúvidas para o resto do caminho do sonho, engendrando novos argumentos e analgésicos para um doente que forçosamente está a passar pela incerteza da mesa de operações.

A comunidade nasceu sob razões económicas e financeiras e os seus alargamentos e medidas estruturais nunca perderam de vista estes horizontes. Os resultados estão à vista!

Luis Alexandre

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Wikileaks, um tiro no porta-aviões


O fenómeno Wikileaks, trouxe à luz do dia toda a engrenagem de funcionamento de apenas alguns aspectos das zonas vitais da obscuridade e defesa de todo o sistema capitalista.

O mérito da onda que revoluciona a compreensão dos cidadãos sobre métodos, ausência de escrúpulos e a base permanente de conspiração de tudo o que se move, é exactamente mostrar toda a hipocrisia e mentira com que os poderosos interesses mundiais se organizam e o facto do epicentro serem os EUA.

As denúncias sistemáticas e à escala mundial não têm como ser desmentidas, estarão a provocar uma azáfama extraordinária em tudo o que são serviços secretos, pela incomodidade de líderes políticos, financeiros e militares e muitos dos seus serviçais instalados nas fortalezas nacionais espalhadas pelo mundo.

Às denúncias seguem-se os coros de desmentidos, que tomaram grandeza de primeiras páginas na generalidade da comunicação social dos países dos embaraçados, com repercussões de larga escala e de enorme dificuldade de contrariar.

Com a confusão instalada no seio dos profissionais da conspiração a favor das encomendas, os amadores apanhados nas teias, trazendo a lume a relevância nacional, têm distintas teatralizações que vão da gaguez e inconsistência do chefe do BCP sobre negócios com os proscritos do Irão (práticas comuns na Banca), a clarividência do CDS que se revê no secretismo do papel da diplomacia para a sobrevivência do sistema capitalista e o habitual estilo socratista de enfrentar a altura das ondas, substituindo o tema por outro de valor acrescentado sobre os sucessos da sua governação, no caso, o sucesso de acrescentar a grande China à lista dos nossos credores, que se sobrepõe à política de quatro patas sobre voos da CIA ou os contornos políticos de uma investigação da esfera policial e da lei, sobre o desaparecimento de uma criança estrangeira em território nacional.

Cavaco Silva, o nosso presidente, mostra-se boqueaberto em frente das câmaras pela incompetência dos EUA em deixarem ao desabrigo os seus segredos, dando a entender ao país mais uma das suas competências, a de ter os seus segredos do género bem guardados e quando confrontado tratou de resolver o assunto dos microfones.

A Wikileaks terá chegado a uma parte das pegadas da permanente confabulação que permitem aos EUA obterem a hegemonia e referência económica para todo um sistema dependente da sua organização e capacidade bélica de agir.

Os aliados, fingem-se chocados, engolem (casos de Cavaco e Sócrates que se supunham em boa conta e não meros peões sujeitos a avaliação dos patrões) e apelam à reorganização que reponha as ordens de comando do castelo de controlo da economia e finanças mundiais, porque também estão em causa os seus privilégios.

Neutralizada a Wikileaks, um passo já em marcha, os fins prosseguirão por outros meios.

A Wikileaks só surpreende e escandaliza os ingénuos, o que não lhe retira a contribuição para a compreensão dos bastidores do pensamento da alta finança que domina o mundo e trata os políticos como instrumentos.

Luis Alexandre